tv pública, ética, mensalão, cartão corporativo...

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sérgio longman está de volta. ótimo!

Semana passada o jornalista Mário Marona publicou em seu blog (www.blogdomarona.blogspot.com) uma carta dirigida às jornalistas Thereza Cruvinel e Helena Chagas que na verdade é um manifeso em apoio a direção da nossa TV pública. Apesar do que diz a Rede Globo, a revista  (desculpem a citação) VEJA E LEIA e outros órgãos vinculados a empresas estrangeiras, a TV pública já está exercendo excelente papel ao discutir o monopólio privado da comunicação no País. Não fosse isso a GLOBO e o grupo sul-africano dono da Abril, não estariam incomodados. Enviei essa carta para meu amigo Sérgio Longman, colaborador deste blog, e ahí vai seu comentário, sempre instigante, a respeito do tema:

Contribuição ao Blog do Zezo
Sérgio Longman 12/04/2008


O missivista (Maroma) expõe com clareza suas idéias.
Parece passar sinceridade. Assume posições. Em
princípio, não tenho maiores divergências com o que
ali está colocado.
Agora, outra coisa é a TV pública: como ela irá
funcionar? Qual a sua credibilidade, qual a sua
audiência? Será um instrumento de propaganda do
governo? Parece-me que não começa muito bem. Falta ao
país tradição, histórico de realizar as coisas com um
mínimo de critério, isenção e independência. Entre nós
a manipulação é admitida como uma coisa menor e banal.
Natural. Como diria o nosso Chico Buarque: “acho que
vai dar merda!”
Penso que já falei (em um comentário anterior) que não
confio nesse governo. Falta aos que hoje estão no
poder escrúpulos. São homens e mulheres desprovidos de
senso moral e de compromisso mínimo com a ética. Essa
é minha principal divergência com os que hoje exercem
o poder e fazem à Política no nosso País. Reconheço
que estou em minoria. Sou quase uma voz isolada.
A grande tese dos governistas prevaleceu e prevalece:
só fizemos, e fazemos o que os outros, os que
exerceram o poder antes de nós, já fizeram e fazem.
Indo um pouco mais além, só estamos fazendo o que
todos já fizeram e fazem. Salvo engano, coisa
parecida com isso foi defendida e expressa pelo
Presidente Lula em uma entrevista, em Paris, no auge
do escândalo do Mensalão. A sociedade não apenas
assimilou como acatou e aceitou essa tese. Todos
esqueceram que o discurso do PT, principalmente, era
exatamente o contrário: ética na política! Enfim,
ninguém estava muito preocupado com essas questões.
Aqui, prevaleceu também o pragmatismo: afinal, a
classe trabalhadora finalmente chegou ao poder com
Lula. A grande maioria dos formadores de opinião
estava e está envolvida no aparelho do Estado.
Montado em elevados índices de popularidade, com a
economia em expansão, uma conjuntura econômica
internacional favorável, com alguns acertos na gestão
da política econômica interna (estou me referindo ao
primeiro mandato), o Presidente levou a melhor sobre
seus adversários. Ganhou praticamente todos os
embates.
A oposição ficou frágil, pobre de idéias, sem
bandeiras e sem líderes. Sobre a oposição, ainda se
poderia analisar um pouco melhor, dizendo que ela
possui uma baixa credibilidade e baixo índice de
coerência. Ficou velha, envelheceu.
Com relação ao governo, pouco importa que os seus
principais quadros tenham sido tragados pelos
escândalos: Zé Dirceu denunciado pelo Procurador Geral
da República; Palloci por ter praticado um crime...
Outros mais caíram e os escândalos foram se sucedendo
e um atropelando o outro e o advogado do governo, o
Dr. Márcio Thomaz Bastos, conseguiu colocar a PF para
realizar operações e mais operações, prendeu muita
gente (pouco importa que não haja ninguém preso
hoje)... O Presidente conseguiu escapar ileso.
Aqui vamos fazer um parêntesis para analisar o
Escândalo mais recente: o Cartão Corporativo. A cena
se repete, na seqüência já conhecida: primeiro o
governo nega, nega e nega (a ministra “mamãe Dilma”
até ligou para dona Ruth); depois admite, mas pondera:
não se trata de dossiê, tudo não passa de um simples
banco de dados; depois acusa a oposição: foi ela que
vazou, etc. para finalmente reconhecer que fez e
defende que fazer não é crime. O advogado de plantão
do governo (não precisa ser necessariamente o Dr.
Marcio Thomaz Bastos – a estratégia já foi assimilada
e pode ser defendida por qualquer um) na condição de
Ministro da Justiça diz: “todo governo tem direito de
fazer dossiês, fazer dossiês não é crime!”. De novo a
velha e mesma tese: todos fazem. Fecha o parêntesis.
O Presidente viaja, fala, faz discurso, viaja, vence a
eleição. Reelege-se. O Bolsa família ajudou. A
economia ajudou. A oposição ajudou.
Hoje, não se faz nada muito diferente: o Presidente
viaja, fala, faz discursos, viaja, sobe nos palanques,
a pretexto de lançar o PAC, a ministra Dilma é a mãe
do PAC...
É preciso reconhecer que não há melhor palanqueiro no
país que o Presidente. No palanque, todos os demais
políticos estão anos luz do Presidente. E o que é a
Presidência hoje se não um grande e móvel palanque?
Mas acredito que isso um dia irá passar. Afinal, tudo
passa. Já passamos por uma porção de coisas, já
ultrapassamos, e vencemos, uma Ditadura. Por que numa
democracia (mesmo que ainda bastante incipiente) não
haveremos de vencer a demagogia populista e fazer
avançar e construir um país melhor?
Acredito sinceramente que para a História, essa quadra
que estamos vivendo de Lula e do PT, não será das mais
belas, apesar da aparente maioria e quase unanimidade.
Sei e sinto-me em minoria. Mas prefiro manter minhas
posições e resistir.

Ações do documento

terceiro mandato para nosso "peron"

Enviado por fernanda ponce de leon em 20/04/2008 11:35
 doto long-man,

acredita "sinceramente" que "venceremos" a demagogia...e...
construiremos um pais melhor? quando aqueles em quem confiamos como divulgadores de nosso pensamento protestatorio e de nosso massacrado cotidiano de quando a ditadura militar em nosso tropicalissimo pais, sao hoje "maluquinhos por dinheiro"?!?ouf!cuma doto? misplica!!!