Música
14/03/2008
o frevo que é pernambucano,
demorou a chegar à bahia
|
No mês de janeiro, o BLOGDOCAMPELLO, ainda no antigo endereço publicou a seguinte nota: |
|
O amigo leitor, Antônio Mário, conhecido como Tony da Gabriela, indignou-se com o comentário do advogado e defendeu a postura de não inovar as músicas do carnaval pernambucano. Instado por uma resposta que lhe enviei, admitindo a preservação das boas tradições, porém não inibindo a criatividade Atônio Mário respondeu-me e autorizou a publicação no blog. Ahí vae: "Oi Zezo, Inicialmente quero esclarecer que as afirmativas que fiz a respeito do frevo e do samba foram equivocadas. Generalizei ao dizer que “todas” as músicas carnavalescas do Rio e São Paulo são efêmeras e que por isso não são lembradas. A generalização é muito perigosa. O que veio a minha mente no momento foi o repúdio comercialização da manifestação popular, (parece bravata de opositor de botequim gritando “É a massificação do fenômeno das massas!!!”) e que óbvio não tem nada haver com o que seu amigo comentou. Além do mais, verdade seja dita, eu não gosto do carnaval do Rio, nem tão pouco a sua fotocópia animada (o de São Paulo). Isso não quer dizer que não goste de samba. Adoro Cartola (me emociono ao ouvir o samba enredo “Ciência e Arte” mesmo sendo alvo de tantas críticas, segundo o próprio Cartola.), Nelson Sargento, Dona Ivone Lara, Monarco, Paulinho da Viola, João Nogueira, e os paulistas Demônios da Garoa, Adoniram Barbosa, entre outros. O que eu não gosto é da dimensão comercial que o carnaval do RJ&SP tem, são as putas de luxo desfilando nuas (não fosse a desmoralização, isso até que é legal). Posso até ser ruim da cabeça. Mas foi como disse acima, essa é minha opinião. Realmente seu amigo apenas afirmou que as músicas do carnaval de Recife não mudam. O problema é como o receptor digere essa afirmativa. O carnaval no Recife além de festa profana é folclórica, e na maioria das vezes isso é visto de maneira pejorativa pela mídia Brasileira, dessa forma, essas manifestações ganham um sentido apenas local. Portanto afirmativas como a do Sérgio, apesar de serem a mais pura verdade, provocam uma reação defensiva em quem vive aqui. Via de regra a música de qualidade ocorre quando o processo de criação é espontâneo. No entanto, a maioria das música que ouvimos são produzidas, enlatas e enviadas para serem o “novo sucesso do carnaval ou do momento que seja”. Em Recife, durante a década de 90, ocorreu um fenômeno de criação espontâneo desse que eu mencionei. Francisco de Assis França um cara que não estudou em conservatórios, mas que freqüentava bailes funk adorava James Brown, Grandmaster Flash e Kurtis Blown. Nos anos 90, Francisco, ou melhor, Chico Science, descobriu o Lamento Negro, um grupo de samba-reggae. Impressionado com o som, chamou dois colegas do Loustal, sua banda anterior de hip hop e funk, para formar, o Chico Science e Lamento Negro no início de 1991. O pessoal diz que ele começou o movimento (e não estilo) “manguebeat”. Esse movimento ganhou força no mundo “underground” da cidade. A divulgação foi no boca boca e nos shows por alguns bares como o bar do Rato, Pina de Copacabana, futura Soparia, entre outros. Essa efervecência musical que tinha como objetivo unir “as raízes” com o novo, impulsionou a aparição de diversas bandas e cantores tais como Mundo Livre S/A, Mombojó, Cordel do Fogo Encantado, Eddie, Cumade Folozinha, Jorge Cabeleira, Nação Zumbi, Mestre Ambrosio (atualmente parada o Ciba da), Querosene Jacaré (atualmente parada), Matala-na-mão, Devotos do Ódio, Sheik Tosado, Silvério Pessoa (ex-Cascabulho), entre outros. Tudo isso, ao meu ver, foi espontâneo. Essas bandas, por exemplo, não tocam na Nova Brasil FM do Orestes Quércia, elas não foram embaladas, rotuladas e despachadas para os radinhos por ai. Não sei qual era o clíma de 40 anos atrás quando as músicas “dos velhos carnavais” foram criadas. Mas deve ter sido algo muito importante, pois hoje ganharam um sentido que transcende o profano, hoje é folclórico. Talvez o fato de ter virado folclórico não empolgue as novas gerações a continuar fazendo frevo. Talvez não, não há como generalizar. Talvez agora seja a hora do frevo, do maestro Spok que incorpora com grande dimensão o improviso, adicionando às composições originais de frevo novos arranjos. Ou o frevo da A Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, formada em 2002, a partir de um desejo do Maestro Forró de articular os músicos de sua própria comunidade, despertando neles um interesse mais acadêmico e, futuramente, mercadológico. Outro carnaval desse me surpreendeu, uma ciranda foi o sucesso, “o passo da ema” de Almir Rouche e Composição de Antúlio Madureira (grande instrumentista, o sujeito “tira” Ave Maria com um serrote). |

CARNAVAL TRADICIONAL