ninhal
como fazer politica desprezando as bases
O PSDB é mesmo um Partido diferente. Enquanto todos os demais Partidos políticos discutem alianças e formação de palanques para as eleições municipais deste ano o PSDB só pensa naquilo... : A Presidência da República.
O PSDB começou a rachar com a disputa entre Serra e Aécio, que foi muito bem comparada pelo jornalista Ruy Fabiano à crise de 1929 quando São Paulo negou-se a apoiar o candidato mineiro à sucessão de Washington Luiz. A Presidência da República era exercida em condomínio, era uma Ação Entre Amigos mineiros e paulistas. Desta vez quem rompeu o pacto dentro do PSDB foi o ex Presidente Fernando Henrique Cardoso. Fernando Henrique é quem manda no Partido, e numa entrevista ao jornal O ESTADO DE SÃO PAULO definiu todos os passos a serem seguidos para a sucessão presidencial. Seu projeto exclui Aécio Neves. E isso deixou Minas em pé de guerra. A única Prefeitura que interessa ao PSDB na eleição deste ano é a de São Paulo porque entrou no esquema traçado por Fernando Henrique para a sucessão Presidencial.
O presidente formal do Partido, Senador Severino Estelita, de Pernambuco, só administra a periferia do Partido e não tem a menor condição para mediar essa disputa. Nem estatura política. O pessoal de São Paulo o elegeu para isso mesmo, para cuidar do Norte e do Nordeste, onde o PSDB, na verdade, ainda não chegou. Severino Sérgio Estelita Guerra sequer é ouvido nos diretórios regionais do Partido em São Paulo e em Minas Gerais. Nem no seu Estado ele consegue espaço. Tenta uma aproximação com o Governador, que é do PSB, amaldiçoando a toda hora, na imprensa, seu passado "jarbista" e sua aliança com o PMDB. Chegou a declarar que nada mais devia ao ex Governador Jarbas Vasconcelos ("- estou quites com Jarbas", declarou.) Não tem o menor controle das bases, nem no Estado, nem nos demais diretórios. Ou melhor não tem base, nem ele nem o Partido.
A rachadura no ninho tucano tornou-se visível na votação da CPMF no Senado. A bancada não se entendia com os governadores do Partido. E foi por essa brecha que o Senador e paladino da moral e da justiça, Arthur Virgílio Neto, do Amazonas, resolveu passar. Arhur Virgílio elegeu-se Senador na esteira da popularidade de Fernando Henrique. Depois disso não conseguiu nem um terceiro lugar quando tentou o Governo do Amazonas. Acobertou uma estripulia de seu filho, que chegou a ser detido no Ceará, e vive atormentado pelo fantasma da não reeleição. Não tem voto. Ofereceu-se a Aécio Neves para ser o fator complicador. Lançou-se candidato a candidato a Presidência da República e exige que o Partido realize uma "prévia". Ele sabe que na cultura brasileira jamais o candidato vitorioso, dentro do Partido, vai ter o apoio de quem for derrotado. Vai minar a candidatura Serra com a vitória ou com a derrota de Aécio nas prévias. Mas também não fala das eleições municipais deste ano, ou seja, o Partido não está preocupado em construir uma base.
É intrigante esse fato. As eleições municipais não dizem respeito aos tucanos. Parece que é isso mesmo, só lhes interessa o Palácio Real. Mas desse jeito só chegam lá voando, pousando, aterrizando...

