imprensa marrom
propaganda e interesse comercial da revista não são informações jornalisticas
A Abril nos tribunais Por Guilherme Scalzilli Do Observatório da Imprensa O material já
causou estragos. A Veja esboça uma ligeira mudança de tom nas suas
edições semanais e há suspeitas de que ela tem obstruído as ferramentas
de busca eletrônica aos conteúdos de matérias e postagens antigas –
especialmente as que corroborariam as denúncias. A revista processa
Nassif e, aparentemente, utiliza funcionários anônimos (além dos
supracitados) para espalhar ataques pessoais a ele. É compreensível
que Nassif tente evitar conotações político-partidárias em sua
empreitada. Seria (e continua sendo) cômodo para a revista refugiar-se
numa batalha moral contra o "lulo-petismo". Quando se trata de ética
jornalística, entretanto, não cabem desculpas ideológicas. E o respaldo da imprensa? Mas o público
sabe que esse comportamento da Veja também possui um viés eleitoral.
Ela é acusada de defender interesses que se beneficiam do poder
conferido pelas urnas a eles próprios ou a terceiros. Se alguém
escancara essa contaminação, direta ou indiretamente, mexe nas suas
motivações. Por isso, é importante não esquecer que o gesto de Nassif
insere-se num contexto político, pois assim será tratado pelos
detratores. Os grandes
veículos, assim como a Associação Brasileira de Imprensa, fingem que a
querela não existe. Não querem se expor a exumações semelhantes,
principalmente depois que a Folha de S.Paulo foi envolvida num dos
episódios denunciados. Os comentaristas abordam a questão com cuidado,
sabedores do poder destrutivo de Veja. Esse
comportamento revela muito sobre a categoria. A manipulação teria sido
aberta, conhecida por todos, durante anos. E a revista só foi
confrontada por iniciativa de um indivíduo isolado que, apesar da força
de sua biografia e de seus argumentos, não angariou o respaldo de uma
imprensa que se diz combativa e independente (ou melhor, que é
"combativa" e "independente" quando interessa). Precedente histórico Imagina-se que a
direção da revista tenha instruído seus advogados a causarem o maior
estrago possível, financeiro e pessoal, na vida de Nassif. As despesas
são altíssimas, os prazos dilatados, os resultados incertos e as
primeiras instâncias, imprevisíveis. A desigualdade de forças resvala
na coerção do gigante empresarial que tenta destruir exemplarmente seus
desafetos incômodos. Mesmo assim,
parece alvissareira a hipótese do Judiciário ser constrangido a se
manifestar. Passou o tempo de tratar falsos depoimentos, incriminações
indevidas, denúncias vazias, deturpações e mentiras como simples
efeitos colaterais da liberdade de imprensa. A integridade moral dos
indivíduos e o interesse coletivo são protegidos por leis que estão
acima de couraças retóricas. A nobre
iniciativa de Nassif não envolve apenas os leitores de Veja e talvez
nem o público genérico de periódicos. Trata-se de esclarecer o uso
antiético e quiçá ilegal da grande imprensa para favorecer determinadas
facções corporativas ou políticas. Tamanha abrangência só pode ser
respeitada por um poder de envergadura equivalente, conferindo máxima
lisura ideológica à decisão. O desejável
sucesso da defesa do jornalista, ainda que custoso e demorado, pode
abrir um precedente histórico e contribuir para uma análise profunda
sobre o jornalismo nacional
O
jornalista Luís Nassif está mobilizando a blogosfera com seu dossiê
Veja, série de artigos que denunciam o antijornalismo praticado pela
revista nos últimos anos. Envolve interesses corporativos, destruição
de reputações, tráfico de influência. Desmascara a diretoria editorial
da revista e, principalmente, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.
Trata-se de estudo avassalador, embora não surpreendente, que precisa
ser lido e divulgado.

