energia
brasil X argentina ...si somos americanos somos todos hermanos?
Este blog está cheio de novidades. Opinativo, informativo e polêmico, no mais das vezes, especialmente quando denuncia as ações do imperialismo americano no mundo. Mas continua sendo um espaço democrático. Verdadeiramente democrático. Não temos prisões em Guantánamo nem invadimos países para conquistar leitores nem impor nossa maneira de ver o mundo.
Agora, aqui no blog, alguns temas serão desenvolvidos por especialistas e curiosos de determinado assunto que queiram colaborar em nosso espaço.
Hoje, o engenheiro PEDRO DAVID, conhecedor e trabalhador há muitos anos no setor de energia elétrica, PhD, e essas coisas mais que identificam os estudiosos de um determinado assunto, nos brinda com sua visão técnica e política a respeito do relacionamento Brasil/Argentina no setor elétrico.
Por PEDRO DAVID
Como já de conhecimento público, a Argentina está sofrendo uma crise energética estrutural de grandes proporções. A situação energética já é de racionamento do consumo industrial de gás, o que deprime a economia. Esta situação decorre da falta de investimento em geração para acompanhar o crescimento da demanda.
A falta de investimento em geração e o crescimento da demanda decorreram do congelamento das tarifas de energia elétrica e de gás como parte da política de combate a à inflação e alavancagem da economia Argentina, mas a mágica do congelamento não dura muito tempo e sempre tem como conseqüência o estacionamento (quando não a retração) da capacidade de produção e a promoção da demanda, como nós brasileiros bem sabemos.
O Brasil tem um parque predominantemente hidrelétrico que atravessou no início deste ano uma situação preocupante devido ao atraso do período úmido, que levou os reservatórios a níveis baixos e determinou o despacho de toda a geração térmica disponível no Sudeste, inclusive de térmicas que operam com óleos combustíveis especiais, de custo de operação muito elevado (acima de 300 R$/MWh, chegando a mais de 500 R$/MWh), felizmente a afluência normalizou-se e graças às afluências restauradas em relação à média histórica e ao despacho da geração térmica, o nível dos reservatórios está dentro do esperado para este período do ano.
Para ajudar a Argentina, o Brasil assinou um protocolo de exportação de energia, o que já vinha sendo feito desde 2005 pela exportação de geração de energia térmica excedente (não despachada para o atendimento do mercado brasileiro). Contudo, devido ao aprofundamento da crise Argentina, foi solicitado uma exportação num volume aida maior, além da capacidade de geração térmica excedente, ou seja, foi solicitada a exportação de energia hidráulica duarante 4 meses (até setembro) coma promessa de reposição em igual volume nos 4 meses subseqüentes.
Em termos energéticos, o acordo parece equilibrado, mas em termos econômicos, o consumidor brasileiro está subsidiando o consumidor argentino, pois a exportação de energia hidráulica (mais barata) só será possível porque o consumidor brasileiro irá arcar com a conta da geração térmica cara despachada no início deste ano. Além disso, iremos vende a energia ao preço do Brasil e não ao preço da Argentina, que é muito maior, ou seja, estamos abrindo mão de uma receita importante para abater os custos do consumidor brasileiro.
É o Brasil, continua sendo mesmo muy amigo e o Itamaraty com esta política de generosidade sem limites vai metendo a mão no nosso bolso ...


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