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durante três meses o senador severino sérgio estelita guerra, presidente do psdb, preparou a dra. denise abreu para atacar a dra. dilma roussef numa comissão parlamentar. não jogou a toalha, mas abandonou dra. desine no meio do round. disse a imprensa que o partido vai mudar a estratégia de oposição.

 

O excesso de CPIs e de julgamentos na Comissão de Ética e nas Comissões de Justiça da Câmara dos Deputados e do Senado Federal acabou produzido um efeito benéfico. Ficou claro e evidente, até mesmo para o mais indignado dos cidadãos, que nenhuma daquelas instituições parlamentares atua em benefício da verdade e da justiça. Nenhuma delas vai aplacar a ira do cidadão revoltado com os desmandos que elas dizem apurar e não apuram; dizem que vão punir e não punem. Todas essas Comissões são instrumento do jogo político e democrático, são instituições políticas da democracia, são de natureza política. Existem para consolidar o poder de alguma corrente política sobre a outra ou para impor a versão de um fato, sob a ótica dessa mesma corrente política. Além, é claro, de oferecer espaço midiático a todos os políticos. E divulgação de sua imagem é alimento vital para qualquer político.

Em CPIs e demais Comissões Parlamentares se travam embates onde vence o mais forte politicamente, que nem sempre está com a verdade. E nem sempre essa vitória - em campo - faz justiça. Isso porque é da natureza daquela instituição, a CPI ou outra Comissão Parlamentar, descobrir qual o ponto de vista que irá prevalecer. Só isso. Se prevalecer o ponto de vista da injustiça não importa. A reparação será feita judicialmente. O importante é "vencer" o embate perante os eleitores. Eu disse o "embate", não disse o "jogo", mas podem fazer o paralelo com uma partida de futebol. É isso mesmo. É assim que funciona para cada uma das bancadas da oposição e da situação: - Vamos fazer o gol! É o que importa. Se havia impedimento ou não, isso o repaly mostra depois, mas não modifica mais o resultado. O negócio é ganhar aqui, no campo, digo, na Comissão, perante a torcida. O resto é "tapetão".

Essa constatação de que os eleitores foram enganados pelos reclames da mídia, que anuncia as CPIs como solução para todos os males e redenção para os injustiçados, já é sentida nas conversas de botequim. As TVs ligadas no depoimento da Dra. Denise Abreu, ex Diretora da ANAC (a que reclamou porque não lhe foi dado tratamento de autoridade quando assumiu o cargo e teve de andar de kombi) mostravam um embate num clima de FLA X FLU. Esse clima existia tanto na própria Comissão como na platéia. Pouco se discutia sobre o conteúdo da denúncia; se tinha havido roubalheira e favorecimento no Governo, ou se não havia nada disso. O clima era de festa e de torcida. Nada mais. Cada lance para um lado era comemorado, aplaudido e até comentado quando a torcida achava que o jogo estava ganho. Só falta Galvão Bueno nas transmissões. Não importa a jogada do outro time. Se a Dra. Denise declara sim, sua torcida aplaude. Se o Dr. Zuanazzi diz que foi não, sua torcida também aplaude. Ainda que a informação seja a mesma. É coisa de paixão. A questão do favorecimento indevido a empresários "do peito" do Presidente da República e de outras autoridades, a questão do uso indevido de prerrogativas, do desrespeito ao interesse público, ou mesmo da existência de crime de outra natureza, nada disso chamava muito a atenção da platéia. Importante era a peleja entre Dona Dilma X Dra. Denise. Uma vestindo vermelho e outra com a camiseta azul e amarelo, novas cores do Pastoril.

Não fosse essa natureza de luta política de caráter partidário, no sentido amplo, por que o Presidente de um Partido político teria procurado a Dra. Denise e lhe oferecido apoio e assessoria gratuita, durante três meses, e proteção para que ela denunciasse, numa Comissão Parlamentar, autoridades de outro Partido e do Governo, ao qual faz oposição?  Dra. Denise não fez isso "de ofício", quando deveria tê-lo feito, se havia razões, e nem procurou espontâneamente o Congresso ou autoridades constituídas para fazer sua denúncia. Ela foi trabalhada e usada politicamente, instrumentalizada, para reforçar o ataque de um time. Só isso, um reforço contratado. E parece que não se saiu muito bem. Foi chamada de Dr. Sanguinetti, o perito alagoano que deu um show midiático na apresentação de contra-laudo para defesa de um casal acusado de matar a filha. Parece que até agora os laudos do Dr. Sanguinetti, como os documentos da Dra. Denise, não conseguem se contrapor a decisões judiciais que sustentam e embasam os dois casos: a prisão do casal e a autorização judicial para a venda da VARIG (terá havido uma negociata com aval judicial?). Mas Dra. Denise não atacou a decisão judicial. Ela, simplesmente, na ocasião, protagonizou uma renúncia vergonhosa ao mandato que detinha na ANAC.


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