desespero eleitoral

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sem boas notícias nas urnas, o negócio é aparecer na GLOBO

             De Paulo Moreira Leite

Com essa oposição o governo não precisa de aliados

Vamos combinar que o DEM pode falar de crise institucional.

Seus pais e avós, que há 50 anos vestiam a camisa da UDN e depois da Arena do regime militar, conheceram várias.

Provocaram algumas, inclusive a maior delas, que foi o golpe de 64. Também ficaram bonzinhos no AI-5, quando as instituições foram esfrangalhadas, como disse um inesquecível editorial do Estadão.

Mas quando o PSDB e o PPS (a fatia mais larga do velho Partidão) dizem que o “Brasil vive hoje uma situação de grave crise institucional” estão praticando um tipo de baixa avaliação política que não combina com a formação acadêmica de boa parte de integrantes. Eles leram os clássicos, viveram situações graves e sabem o que é crise institucional. Não tem nada a ver com o Brasil de hoje. É errado até falar da crise política. Temos um episódio grave que precisa ser apurado e terminar com a punição dos responsáveis. A descoberta de que o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, foi grampeado é um episódio lamentável e grave. Confirma uma situação de baderna histórica dos serviços de informação que não mantém o governo informado, não ajudam a prevenir crises nem pequenos acidentes e, como se viu, até contribui para criá-las. Mas é só. Em nota assinada pelas três siglas, se diz aquilo que não se prova e se defende aquilo que não é aceitável. A nota chega a sustentar que “a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN),” cometeu um atentado a democracia com a “quebra do sigilo telefônico dos presidentes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, além de diversos senadores.” A revista VEJA escreve que divulgou uma “reprodução” da conversa mas não emprega o termo profissional mais preciso – “transcrição”. Escreve que recebeu a “reprodução”  de um servidor do órgão, mas não sustenta que ele cumpria ordem de serviço. Os grampos telefônicos ilegais são um crime uma tragédia nacional. Ameaçam a democracia e desmoralizam a liberdade de cada um. Não são um problema novo. Fernando Henrique Cardoso chegou a ser grampeado quando era presidente da República. Outros grampos envolveram ministros e autoridades dos escalões superiores de seu governo. Ministros e assessores de Itamar Franco também foram grampeados e suas conversas chegaram a mídia. Setenta e duas horas depois da denúncia de um grampo no telefone de Gilmar Mendes, o diretor geral da ABIN e seus principais assessores foram afastados temporariamente de seus cargos. Os delegados designados para apurar o caso já começaram a trabalhar. A reação da oposição é tão fora de medida que lembra aquele tipo de adversário que dispensa o governo do natural esforço de encontrar aliados.

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