propostas
meu voto será para quem usar a gravata mais elegante
O artigo semanal do Professor Marcos Coimbra, do Instituto VOX POPULI, no jornal CORREIO BRAZILIENSE, enfrenta um dos mitos mais arraigados entre a intelectualidade brasileira e entre a categoria de (pseudo) "conscientes" quando falam sobre campanhas eleitorais. Esse termo "consciente", empregado dessa maneira, vem da época da ditadura militar quando a maioria da população estava anestesiada pelo mêdo e pelo deslumbramento com o milagre econômico. Os que éramos contra a ditadura nos dizíamos "conscientes" do que se passava no mundo e em Pindorama. Tínhamos consciência política. É muito comum ouvir de pessoas que hoje se dizem "conscientes", elementos da burguesia, da classe média, da elite, do estamento superior, da intelectualidade, seja que nome se dê a essa parte da população que se sente capaz de exprimir a verdade política do País, que o povo não sabe votar porque desconhece e não se preocupa com as propostas apresentadas pelos candidtos durante as campanhas eleitorais. E os políticos também acreditam nessa "verdade". Pois bem, para corroborar o Artigo do Professor Marcos Coimbra, que desmistifica essa questão, conto uma coincidência que me ocorreu num telefonema (estaria grampeado?) ainda nesta semana. Falava com um amigo do Rio de Janeiro, acadêmico, intelectual, que, mais uma vez, repetia esse mantra sagrado: - Ninguém se preocupa com as propostas dos candidatos. É por isso que o Rio de Janeiro está afundando! Quando lhe perguntei o que Gabeira (é o candidato de meu amigo) andava pregando a respeito de uma coisa e de outra, só agora, lendo o artigo do Professor Marcos Coimbra, me dei conta que meu amigo desconhecia todas as propostas de Gabeira, o seu candidato "consciente" à Prefeitura do Rio de Janeiro.
Segundo o Sociólogo Marcos Coimbra seria impossível ao eleitor comum, e mesmo aos "conscientes" "do andar de cima" tomarem conhecimento das propostas que são bombardeadas pelos candidatos durante a campanha para se fazer uma avaliação, comparação e escolha. " Em algumas cidades está em curso um campeonato de propostas. Em Recife há quem já apresentou mais de cem, apenas nos primeiros dias da propaganda eleitoral. Em São Paulo, Marta, Alkmin e Kassab travam uma batalha diária para saber quem empilha mais propostas na frente do eleitor. Em cada aparição no horário eleitoral nenhum mostra menos que 10. País afora, o mesmo se repete, com direito a todo tipo de bizarrice. Só de metrôs se diria que vamos ter mais de 100 ".
A conclusão do Professor, Sociólogo, e Presidente do Instituto de Pesquisa VOX POPULI é instigante. Vale a pena refletir sobre ela. Mas partindo do princípio que, de fato, não são as propostas apresentadas que nos levam à escolha do candidato. Existem outras razões, anteriores ao momento eleitoral. E não adianta querer que "o andar de baixo" se comporte diferente de você. O eleitor só será capaz de lembrar de algumas das propostas do candidato em quem já decidiu que vai votar. Seja por alguma identidade prévia, seja por sentimento partidário, seja porque chegou a uma decisão pelo que sabe dos candidatos e de suas alianças, o eleitor escolhe. Daí em diante, presta atenção, de fato, nas "propostas", mas apoenas nas de seu candidato. Mais para ter argumentos com os quais justificar a opção que fez.

