grampolândia

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o que, quem, como, onde e "por que".

A respeito dessa questão dos GRAMPOS, VAZAMENTOS & CIA. LTDA. está interessante o comentário do OMBUDSMAN  do Jornal FOLHA DE SÃO PAULO de hoje.

Carlos Eduardo Lins da Silva, o OMBUDSMAN, critica o jornalismo brasileiro, compara a cobertura dessas denúncias com a cobertura do caso Watergate, que levou à renúncia do Presidente Nixon, dos Estados Unidos da América,  e adverte a FOLHA para seguir alternativas diferentes, caso pretenda fazer o chamado bom jornalismo. Diz ele:

"O jornalismo brasileiro sofre há muito tempo de excesso de condescendência com grampos e vazamentos utilizados com pouco ou nenhum senso crítico e sem cuidados elementares que precisam ser observados em situações que colocam em risco reputação de pessoas, empresas e entidades e até a estabilidade institucional do País".

Segundo o analista, a FOLHA tem se limitado a recolher, registrar e repercutir informações e declarações. Parece-me, no entanto, que não só a FOLHA, mas quase toda a imprensa faz o mesmo. Todas as coberturas partem do princípio de que o grampo (a escuta) existiu. E existiu da maneira como foi contada pelos personagens interessados em divulgá-la. Ninguém pôs em dúvida as afirmações de um Senador da oposição e a de um Juiz, indicado para o cargo pelo governo anterior, de oposição ao atual, nem questionou as razões que levariam a se divulgar uma conversa sem conteúdo, pura "água flor de laranja", sòmente para mostrar que estão sendo feitas gravações de telefonemas. Seria apenas esse o interesse?

Parecem-me sensatas as observações e sugestões do OMBUDSMAN da FOLHA. Vejamos: A FOLHA "deveria escolher uma das seguintes alternativas: manter distanciamento crítico para dar a devida dimensão ao fato, investir pesadamente para apurar o que ocorreu independentemente do que dizem vazadores e autoridades ou esclarecer o leitor quais são os interesses que estão em jogo.

A tal gravação pode ter ido feita pela ABIN, por alguém da ABIN de moto próprio, pela PF, por alguém da PF por iniciativa individual, pelo Senado, por particulares. Por que não tentar apurar com todo vigor todas as alternativas, em vez de se restringir a reproduzir o que os personagens dizem?

No caso Watergate, o "Washington Post" adotou e seguiu rígidamente dois mandamentos básicos: nunca publicar nada que tivesse sido divulgado por outro veículo de comunicação, a não ser que fosse verificado e confirmado autonomamente pelos seus próprios repórteres; qualquer informação passada por uma fonte que quisesse permanecer anônima tinha de ser corroborada por pelo menos outra fonte independente (de preferência por duas ou três)".

 

 

 

 

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