tortura

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abu gabri e guantànamo são aqui

 

Nosso escritor Luiz Fernando Veríssimo, apontou, com muita precisão, um dos focos da discórdia entre torturados e torturadores no Brasil. Os que torturavam para manter a ditadura aqui implantada, sendo que, muitos,  eram mantidos e treinados pelos Estados Unidos da América, deveriam ter saído de cena quando se estabeleceu a democracia, que eles combatiam, no País. Quem assumiu a responsabilidade de governar o Brasil foram as diversas forças democráticas das quais muitos de seus militantes foram torturados e submetidos a sevícias pelos que deixavam o poder.

Mas a quem pertence a história? Qual será a versão oficial dos fatos ocorridos naquele período? A dos que saíram ou a dos que chegaram? Veríssimo aponta essa indefinição e essa luta por afirmação como sendo a base do conflito que se estabeleceu quando o Ministro Tasso Genro trouxe à tona a questão universal da prescrição, ou não, de crimes hediondos.

A definição de quem será o dono da História só será possível quando a história for desvendada. Sem o julgamento de quem quer que seja, como será possível definir os fatos para anistiar ou punir? Não sabemos o que a militância contra a ditadura pode estar omitindo dos registros da história. Mas sabemos quem são eles, onde estão, quem os financiava, quais eram seus planos e a ideologia por trás da qual  embasavam suas lutas. Já os defensores da ditadura se escondem totalmente. Vestem seus uniformes e ameaçam novamente a sociedade. Negam a entrega de registros (oficiais, não esqueçamos); queimam documentos, como foi o caso de um organismo da Aeronáutica; tentam ocultar quem eram seus comandantes e seus mentores e fazem tudo o que podem para manter sua versão da história. Por que será isso? Não era pura e justa a sua causa? Ou será que agiam em defesa de interesses externos?

Uma pequena vitória na Justiça pode desvendar a historia e ajudar a definir a versão oficial. Se os monstros torturadores e os monstros que os acobertam ainda hoje não falam, nem sob os interrogatórios do Senador José Agripino Maia, do PFL, pode ser que os financiadores da causa o façam. Os americanos não têm receio de serem punidos porque sabem que o número de bombas atômicas e de armas apontadas para todos os países os protege de qualquer ameaça a seus interesses. Talvez por isso confessem, sem muita cerimônia, os crimes que cometem mundo a fora e até mesmo se vangloriem deles, como é o caso das bombas atômicas no Japão, a invasão do Iraque, a manutenção de centros de tortura clandestinos e outras "bondades".

A pequena vitória na Justiça a que me refiro é a recente decisão do STJ para que a Justiça Federal no Rio de Janeiro intime o Embaixador dos Estados Unidos da América no Brasil, para que preste esclarecimentos a respeito da participação daquele país no golpe militar de 1964. A ação foi proposta pela viúva do Ex-Presidente João Goulart, que pede indenização aos Estados Unidos da América, por danos morais e patrimoniais. Ela foi direto a quem mandou naquele período. A quem mandou, a quem dava as cartas, a quem torturava e a quem treinava os monstros locais, como já ficou claro nas investigações feitas no Chile. Se o Embaixador resolver falar torna desnecessárias as démarches aos porões onde se guardam os documentos da época. A ação proposta por Thereza Goulart tramita perante a 10º Vara da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. É de lá que podem vir os esclarecimentos de nossa história recente.

Fico imaginando quantas audiências o pessoal do PFL vai pedir ao Embaixador americano até o dia de seu depoimento.

 

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