turbulência na economia. oposição comemora.
O autor das mudanças, que, se transformadas em lei, aumentarão o rombo da Previdência, é o senador Paulo Paim (PT-RS), que freqüentemente tenta aumentar o salário mínimo sem levar em conta as possibilidades fiscais do País. Desta vez, ele contou com o apoio demagógico das bancadas oposicionistas do PSDB e do DEM - que há alguns anos travaram difícil batalha para aprovar as medidas de austeridade que agora querem eliminar - e com a conivência de parte da base governista. (O Estado de São Paulo, 13/04/08)
Há um certo clima de euforia na oposição, que se prepara para a reunião de amanhã, em São Paulo, onde discutirá os rumos a tomar para continuar exercendo o seu papel de oposição ao Governo. Todo esse clima é em razão da possibilidade de o Banco Central aumentar a taxa de juros. A possível retração no consumo e um freio no crescimento da economia é tudo o que a oposição precisa num ano eleitoral. Especialmente aquela oposição liderada por ninguém menos que Jorge - essa gente - Bornhausen, que é banqueiro. O aumento da taxa de juros vai significar lucros exorbitantes para ele.
Mas se esse for o discurso que a oposição procura, o tiro pode sair pela culatra. Ninguém sai ganhando com a desgraça do vizinho. E muito menos com a desgraça de seu próprio Pais, já que não podemos falar de seu povo a uma elite intelectual e econômica que se descolou "dessa gente" que precisa do Estado para sobreviver. Uma elite que não se identifica com as pessoas comuns, que desdenha da origem do Presidente da República e de sua esposa, fomentando e fazendo circular piadas e histórias fantasiosas de cunho eminentemente preconceituoso de classe e de região. A divulgação dessas "aventuras" do Presidente e de situações ridículas a que são submetidas pessoas comuns, utentes de programas sociais, ou com novos hábitos de consumo que o "boom" da economia permitiu servem para delimitar o espaço reservado a "essa gente" pela classe média tradicional muito bem defendida pelo ex Presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado no Jornal O GLOBO, na semana passada.
Não deve haver engano. Os partidos de oposição não são piores que os da situação porque torcem pelo pior. O Partido majoritário deste Governo sempre agiu dessa maneira contra governos anteriores. A grande surpresa não foi a postura a-ética do PT quando chegou ao poder, nem sua adesão a princípios e valores que combatia. Quem diz que se enganou com o PT está mentindo. Quer uma desculpa para os seus anos rebeldes. É mais fácil explicar para si mesmo, para seus filhos, e justificar seus interesses atuais, a atual situação econômica e social pessoal, atribuindo a guinada ideológica à decepção com o PT. Falso e conveniente.
Decepção de verdade quem causou foi o PSDB. Esse Partido nasceu de uma "evolução" do PMDB. Surgiu em defesa da coerência, de uma postura ética na política, e com um programa partidário bem definido e bem elaborado. Mas o homem é essa criatura frágil. Logo logo o canto da sereia atingiu o PSDB. Foi preciso Mário Covas lembrar os princípios que nortearam a criação do Partido e, literalmente, prohibir Fernando Henrique Cardoso de aceitar um Ministério no Governo de Fernando Collor de Mello. Fernando Henrique queria. Mas o PSDB sucumbiu ao chamado do poder a qualquer preço quando aliou-se aos líderes políticos da ditadura militar, que combateu, para fazer Fernando Henrique Presidente da República. Fez uma aliança com o demônio. Há quem ainda lembre que ACM era (e foi até sua morte) a encarnação do diabo. E foi com ele que o PSDB se acertou para chegar à Presidência da República. E é com o PFL que o PSDB continua vinculado e comprometido, afiançado. Afinal, o PSDB tem, agora, um presidente do porte de Severino Sérgio Estelita Guerra. Isso diz muita coisa a quem acompanha a vida política do País.
Não bastasse as más companhias e os novos tucanos o PSDB traiu todos os seus ideais e todos os seus projetos. Enfim, mudou o discurso para, simplesmente, e independentemente dos interesses nacionais, defender sua volta ao poder a qualquer custo. Esta semana o Jornal Nacional da Rede Globo exibiu uma cena de raro cinismo. O Presidente do Partido tentava justificar o voto na anti-reforma da Previdência Social que fora patrocinada, justamente, pelo PSDB quando governo. Para se ter uma idéia de como esses partidos são iguais. A anti-reforma é um Projeto de autoria do PT quando era oposição ao PSDB. Agora foi apoiado pelo PSDB e pelo PFL. O raciocínio é simples: o bem, e o bom, só valem se eu for governo. Se eu for oposição é mau. Foi assim com a CPMF. E será assim com o que irão acertar a amanhã em São Paulo.


Obrigatório
Vamos repetir que parece que é grego para certos políticos...
O blog tá show!!!
Beijos em todos.