humano, nunca demasiadamente humano

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sem palavras

 

Cada criminoso  conta a história do crime à sua maneira. O povo americano e as pessoas que ele domina mundo afora, especialmente as que domina culturalmente, insistem numa fantasia para justificar massacres, torturas, bombas atômicas e o genocídio que vem praticando já há mais de um século. É impressionante o terror e o temor que espalham pelo mundo inteiro, de Abú Gabri a Guantànamo. Ontem, dia 18, fez 5 anos que iniciaram o massacre de mais de 100 mil pessoas no Iraque. E o mundo assiste imóvel.

O jornalista Ricardo Noblat, escrevendo sempre com extremo zêlo profissional e objetividade, e jamais se deixando levar pela inação diante da indignidade,  fez um registro bastante realista e emocionante dessa data. A data de mais uma tragédia humana, de mais um massacre praticado pelos americanos dos Estados Unidos da América. O blog do Noblat, que é referência jornalística, traz informações objetivas que impedem a versão dos criminosos de influenciar os menos atentos aos fatos internacionais. Não bastasse isso, o texto e as fotos escolhidas ultrapassam a abordagem política da questão e traduzem a dimensão humana desses acontecimentos.

Parabéns Noblat!

Peço licença para reproduzir integralmente sua nota, já que não tenho como trazer as fotos:

 

A herança maldita de Bush

 

No dia 18 de março de 2003, o presidente dos Estados Unidos George Bush Jr. deu um prazo de 48 horas para que Sadam Hussein, ditador do Iraque, abandonasse seu país acompanhado da família. Do contrário, um exército de mais de 200 mil homens invadiria o Iraque e o mataria.

Sadam recusou a oferta. O bombardeio a Bagdá começou algumas horas antes que se esgotasse o prazo dado por Bush. O regime de Sadam desmoronou rapidamente. Ele foi preso, condenado à morte e enforcado. Os Estados Unidos se meteram num atoleiro do qual não sabem como se livrar até hoje.

Bush justificou a invasão com dois argumentos: havia armas de destruição massiva no Iraque. E o regime de Sadam tinha fortes ligações com a organização terrorista comandada pelo saudita Bin Laden, o arquiteto do atentado de 11 de setembro que matou cerca de 3 mil norte-americanos.

O próprio Bush reconheceu mais tarde que não havia armas de destruição em massa no Iraque. Um documento do Pentágono divulgado na semana passada admitiu o que já se sabia: o regime de Sadam não tinha ligações com a organização terrorista de Bin Laden.

O jornal The New York Times publicou que dois meses antes da invasão, em conversa com o primeiro-ministro inglês Tony Blair, Bush se referiu à hipótese de forçar um confronto com o Iraque sacrificando, por exemplo, um avião de vigilância norte-americano pintado com as cores da ONU.

No passado, para ir à guerra, os Estados Unidos se valeram mais de uma vez de falsos artifícios como esse. No caso de Bush, o que importava para ele era afirmar sua liderança, ampliar a influência do seu país no Oriente Médio e mandar no segundo maior produtor de petróleo do mundo.

As cifras sobre o número de mortos produzido pela invasão oscilam entre 90 mil civis iraquianos a um milhão. Morreram até aqui pouco mais de três mil soldados norte-americanos. Estima-se que 4,5 milhões de iraquianos abandonaram os lugares onde viviam. Dois milhões fugiram do país.

A História reservará para Bush um lugar de honra na galeria dos piores presidentes dos Estados Unidos. Ele contribuiu fortemente para tornar o mundo menos seguro. Essa será sua herança maldita.

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