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bbb ou bbc?

 

Maria Adelaide Amaral, autora de minisséries para televisão desceu de um taxi quando o motorista falou: " bom mesmo era no tempo da ditadura". Ela assustou-se.  Numa entrevista ao ALMANAQUE BRASIL  atribui esse tipo de comportamento a amputação de uma geração que ficou totalmente fora da política e a esse domínio dos políticos que floresceram à sombra da ditadura e que continuam dando as cartas...Sua minissérie atual aborda esse tema numa televisão privada cuja direção negou-se a divulgar, nos anos 80, os eventos e o movimento pela volta da democracia, preferindo aliar-se à ditadura.

Maria Adelaide diz que é hora de falar sobre essas coisas porque as pessoas já estão esquecendo. "- Ninguém lembra mais que teve ditadura, preso político, tortura..."

Mas ninguém lembra mais, também, do papel que certos grupos empresariais exerceram na ditadura. Especialmente o quanto apoiavam, divulgando seus feitos econômicos e escondendo "os porões". Sua minssérie passa ao largo dessa questão. Temos que reconhecer que não é culpa da autora. Ela não é obrigada a tratar de temas que não se inserem diretamente no enredo que a inspirou e que se dispôs a escrever. E se o fizesse, certamente, o programa não iria ao ar naquela emissora. É impossível acreditar numa empresa poderosa fazendo auto-análise.

Os políticos a que a escritora se refere, e seus sucessores, são figuras carimbadas que estão ahí encaixados no PFL (DEM) e em outras "agremiações", defendendo as mesmas posturas, agora, pelo menos, num ambiente democrático, que é o Congresso Nacional. Mas empresas e entidades continuam preservadas.

Essa questão nos remete a discussão sobre a nova TV Pública que a oposição tenta barrar a todo custo. Aqueles "políticos que floresceram à sombra da ditadura", aos quais se refere Maria Adelaide, estão participando dessas decisões que irão nos afetar a todos. É preciso prestar atenção aos seus movimentos e aos seus argumentos. Sem descartar a possibilidade de evolução, pois a democracia aperfeiçôa as idéias. Mas a concorrência e a distinção clara entre o que é público e o que é interesse privado é salutar para a democracia. A existência dos dois modelos de televisão, pelo menos, delimitará o objetivo da cada setor. Se só tivermos emissoras privadas seus interesse podem acabar confundindo a população entre o que é interesse público com o que é interesse do público.

Segundo Maria Adelaide Amaral, aquela consciência sociopolítica muito voltada para o coletivo se perdeu. Talvez seja essa a questão a ser discutida quando tivermos que opinar entre os modelos de concessões de TVs e sobre a implantação da nova TV Pública. E não, apenas, se o modelo será o da BBC, RTF, ou o modelo de estatais cubana ou coreana do norte, ou ainda, se devemos ficar sob o domínio das grandes redes privadas, como as que participaram, inclusive financeiramente, para um golpe de estado num país vizinho.

Para quem vai entrar agora nessa discussão, mas que participou das lutas pelo restabelecimento da democracia no Brasil, o jornalista Etevaldo Dias, lembra, no seu blog, que, em 1985, Dr. Tancredo Neves convidou o atual Deputado Miro Teixeira para assumir o comando de uma idéia que teve; a criação de uma Rede nacional de Televisão.

De lá para cá, muita coisa mudou, menos os interesses comerciais das redes privadas, especialmente aquelas que se negavam a apoiar os movimentos pela redemocratização do País, quando não divulgavam os grandes comícios das "diretas já" nem outros eventos. O domínio privado é uma discussão que está presente nas atuais discussões e votaçãoda TV pública. Essa questão tem causado revolta entre os que querem mantê-lo, com exclusividade,  a todo custo, e os que defendem o interesse público. E a expressão certa é  "todo custo", mesmo. Quanto custa ao país só ter acesso a uma corrente de pensamento, mesmo que repartida entre plim-plins e Universais?

Etevaldo termina o texto com a seguinte informação: "Infelizmente, Tancredo Neves morreu antes de assumir o mandato e a TV Educativa foi sòmente mais um sonho da redemocratização brasileira.

 

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