...el demás é reconquista

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derrota conservadora na espanha estimula reflexões no PSDB

 

José Luis Barbería 
Do El País 

Há alguns dias, Mariano Rajoy dizia que, para a oposição chegar ao poder, é preciso que o governo tenha sido ruim, e que o aspirante consiga se mostrar como realmente é — e tenha a idéia precisa do que é necessário fazer.
Como não restam dúvidas de que o líder do PP considera o governo Zapatero ruim, o veredicto das urnas aponta, em seu caso, para um inevitável juízo sobre sua personalidade política. É possível dizer que há aqueles dentro de seu próprio partido que questionam se a derrota não é resultado do caráter um tanto tímido de Rajoy, das lacunas de uma personalidade “pouco carismática” e “demasiadamente educada”.

São os mesmos que sentem saudade da forte liderança de José María Aznar e que, viciados em emoções fortes, ensaiaram bastante durante a última legislatura as técnicas de agitação coletiva que os neoconservadores de Bush aplicam. Mas o primus inter pares que Aznar indicou como seu sucessor reforçou notavelmente sua liderança interna nos últimos quatro anos, posição a que Rajoy não tem a intenção de renunciar, ao menos que a derrota adquira a magnitude de uma catástrofe.

O golpe será calculado, dizem os dirigentes do partido, não pela derrota em si, mas pelos 148 deputados que o PP obteve há quatro anos. Ainda que esta não seja uma posição unânime, convém levar em conta que a imagem de Rajoy foi ganhando nitidez e força. Seu perfil foi considerado o de um líder brando, menos vigoroso, mas também menos inquietante que Aznar. Ele soube manter a unidade depois do trauma da inesperada derrota de 2004. A ele, atribui-se a canalização dos problemas das disputas territoriais e dos choques entre gerações. A coesão interna adquire importância vital porque, embaixo da sigla PP, convivem moderados e radicais, conservadores, liberais e democrata-cristãos, e ainda restam espertos elementos da extrema-direita que aguardam sua oportunidade.

Para um grupo que fez da unidade da Espanha sua primeira grande bandeira, aparecer desmembrado perante suas bases é uma antecipação do fracasso. O número dois de todas as preferências acabou se elegendo o número um porque, acima de tudo, demonstrou que podia conduzir o seu agitado partido. Mesmo que a sombra de Aznar não tenha se dissipado e siga fervendo os grupos políticos, midiáticos e econômicos, Rajoy conseguiu se posicionar num cruzamento estratégico de tendências e fez a ligação entre o passado e o futuro do partido.

Ele disse na campanha que sua intenção era se tornar um presidente “previsível, patriota, independente, moderado e resoluto”.

O que será de Rajoy agora ao ir dormir não como presidente, e sim novamente como líder da oposição? Haverá uma oposição mais responsável e construtiva? “Esse é o meu propósito, mas vai depender, sobretudo, do que o PSOE fará em assuntos vitais como a luta contra o ETA e o modelo das autonomias regionais”, respondeu. O Rajoy resultante das eleições tem, então, o compromisso de banir, com ajuda de outro grande partido, o nervosismo de uma legislatura que ele considera lamentável.

(jornal O GLOBO - 10/03/2008)

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