américa do sul x américa do norte

o conflito não é entre nós. os interesses em jogo são dos estados unidos da américa

 

A visita do embaixador americano ao Senado, no final do ano passado, deixava claro, conforme anunciei aqui no blog, a preparação de uma grande ofensiva de comunicação para iniciar a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos da América. Os discursos de Sarney, sua viagem a Nova Iorque, as provocações da direita comprometida com as torturas da ditadura e com as finanças internacionais pipocavam aqui e alí para criar o clima de animosidade. A imprensa servil, nem se fala. Os "Mervais" da vida são bem remunerados e bem treinados para analisar fatos inexistentes e criar versões "consistentes".

Não dá para os Estados Unidos da América ficarem sem o petróleo da Venezuela sob seu controle direto. O petróleo do Oriente sai caro. Haja vista o custo da invasão do Iraque e o preço para manter o Líbano em estado de guerra civil e, enfim, de manter o oriente médio em clima de instabilidade. Isso encarece o petróleo. E o problema não é que encareça; quanto mais caro melhor para as companhias petrolíferas, cuja maioria é deles mesmo. O problema é ter ou não o controle. E o controle da PDVSA saiu das mãos dos "investidores" americanos.

A situação política também estava saindo do controle direto dos estados Unidos da América. A solução negociada para o conflito da Colômbia que vinha sendo apoiada por Hugo Chaves feria de morte a determinação americana do confronto. A libertação dos reféns da guerrilha e a negociação para a libertação da ex senadora Ingrid Betencourt abalaram as bases do governo fantoche de Álvaro Uribe. Evidenciaram que Uribe não faz política de seu país. Ele apenas legitima a invasão americana e o controle dos Estados Unidos da América sobre o grupo militar a que Uribe chama de exército colombiano. Trata-se, apenas, de uma força treinada pelo exército americano, para poupar seus próprios soldados, como faz no Iraque. Era preciso dar um fim a essas iniciativas de Chaves com urgência. e, como já foi dito aqui no blog, os Estados Unidos da América sacrificam quantas vidas forem necessárias para o seu projeto hegemônico. E a senadora Ingrid Bettencourt não os faz fugir dessa regra. Como defende a direita brasileira, países têm interesses, não têm amigos.

Resta saber se o Brasil, finalmente, vai deixar de defender o interesse de companhias e empresas internacionais ou irá, finalmente, defender nossos interesses e o interesse de países e povos vizinhos. Seguindo o que defende a direita brasileira, é preciso saber o que é interesse do País. O que não dá é para defender o interesse de alguns, ou de uma corrente de pensamento (a direita ou a esquerda) fingindo ser o interesse do Pais. Nem defender interesses de curto prazo para pagar um preço elevado mais adiante. Não vamos nos vender por uma "Volta Redonda". É hora de valorizar o nosso passe. E para isso não podemos cometer enganos nem fingir que existe conflito entre Colômbia e Equador, ou entre Colômbia e Venezuela. O conflito é entre os Estados Unidos da América e nós.

Talvez tenhamos que entrar nesse conflito armado. Mas vamos ver se dessa vez entramos do lado certo. E além disso, estamos preparados militarmente? Não podemos esquecer que temos Forças Armadas indisciplinadas, mal preparadas e que , durante anos, só serviam para combater e reprimir os próprios compatriotas, sob as órdens de "pensadores" estrangeiros que os treinaram em tortura de presos e outras atrocidades, cujos registros, são tão vergonhosos que até hoje escondem ou queimam para se protegeram do escárnio da Nação. É com isso que a gente vai se defender ou tomar partido numa ação militar?

O colunista Alon Feuerwerker, do CORREIO BRAZILIENSE foi sensato e implacável na análise dessa situação. Ele diz: O fato é que o Brasil defronta-se nos últimos tempos com uma realidade para a qual não está preparado. Na nossa fronteira norte, duas nações armam-se em defesa de seus próprios interesses estratégicos. A Colômbia transforma-se progressivamente num braço militar dos Estados Unidos na transição entre as américas Central e do Sul. A guerra implacável do presidente Álvaro Uribe contra o inimigo interno serve também para Washington manter pressão militar sobre a Venezuela de Hugo Cháves, sem cujo petróleo os americanos enfrentariam problemas econômicos gravíssimos.

Já Chávez, sabedor de que a guerra civil colombiana tem potencial para gerar fatos e pretextos que podem desencadear uma agressão americano-colombiana a seu país, vem se empenhando por uma solução política pacífica no vizinho. Solução que naturalmente desagrada Uribe, cujo poder interno repousa cada vez mais no tripé formado pelos militares, pelos paramilitares de direita e pelos próprios Estados Unidos. Sem esquecer que uma vitória definitiva contra as FARCs daria o impulso necessário para o presidente reformar a Constituição e poder pleitear um terceiro mandato consecutivo, como é seu desejo.

Diante dessa ameaça, Chávez acelerou nos últimos anos a substituição de equipamento bélico americano por similares russos, o que agudizou ainda mais o desconforto de Washington. Ainda que tenham sido os próprios americanos a fornecer a justificativa de que o venezuelano necessitava, quando passaram a recusar reposição de peças e assistência técnica ao material estadunidense tradicionalmente empregado pelas Forças Armadas da Venezuela.

E o problema não está circunscrito ao cone norte do continente. Ao pé dos Andes, bem na fronteira com o Brasil, grupos separatistas com apoio nem tão velado assim dos Estados Unidos impulsionam movimentos separatistas em território da Bolívia, na tentativa de abocanhar as regiões mais ricas do país e isolar (se necessário derrubar) o presidente Evo Morales.

A tudo isso o Brasil assite de dedos cruzados e coração sobressaltado, emitindo de tempos em tempos declarações genéricas e apelos piedosos pelo entendimento entre as partes. É muito pouco para quem pleiteia insistentemente uma cadeira fixa no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Ações do documento

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Enviado por mr moretzon em 05/03/2008 18:56
e quando o evo fez chantagem e o nosso guia cedeu e ainda achou graça? evo viu a uva e os cumpanhêro mamam na viúva