isso é que é ser militar?

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Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro tem o momento e a legitimidade para acabar com uma chaga brasileira. Basta extinguir a Polícia Militar do Rio de Janeiro

 

É evidente que as polícias, em geral, e as polícias militares, especialmente, têm dificuldades para compreender seu papel social, legal e constitucional.

Desde que foram criadas, as polícias militares foram direcionadas para sua condição de força para-militar, auxiliar das Forças Armadas. Condição que só deveria ocorrer em casos de guerra. Os anos de ditadura a que o Brasil foi submetido em nossa história consolidaram esse traço cultural, ou essa deformação; a de se tornarem forças permanentemente voltadas para a segurança do Estado.  Ao invés de as policias serem instituições de defesa do Estado, deveriam servir à segurança da sociedade e à defesa do Cidadão. A disfunção ao longo dos anos só serviu para adicionar mais um elemento às razões da violência que se instalou no País.

Para piorar a situação, o chamado “Espírito Corporativo” que é a corrupção dos valores de qualquer instituição pública, ou organização de caráter público da sociedade, desvia o foco dos agentes da corporação para a defesa de seus próprios interesses. As instituições do Estado que focam suas atenções no próprio umbigo abandonam o papel institucional que deveriam cumprir. No Brasil, a finalidade e o objetivo das Polícias Militares foi totalmente corrompido. Jamais se viu uma manifestação de um agente dessas polícias em defesa da sociedade, em defesa do cidadão e de seus direitos civis e humanos. Seria demais esperar a divulgação pelas Polícias Militares de um manifesto em defesa da cidadania, da segurança pública, ou de melhores condições carcerárias para "seus" presos. No entanto manifestações por melhores salários são constantes.

As Polícias Militares não  fazem apenas manifestações e chantagens por melhores salários, mas também por condições que diferenciem os membros da corporação dos demais cidadãos. É a prática do distanciamento. Os membros da corporação procuram diferenciar-se da sociedade a todo custo, estabelecendo privilégios de toda sorte que vão desde moradias especiais, atendimento médico especial (hospitais militares), aposentadorias especiais, escolas especiais para os filhos, subsistência especial (existem companhias encarregadas do abastecimento – com preços e condições especiais – para as famílias dos policiais), e vão até locais e vagas especiais para estacionamentos (não estou falando de carros policiais em serviço), entradas em espetáculos públicos, passagens gratuitas em transporte público coletivo e facilidades e condições especiais para a compra de imóveis e de veículos. A luta por esses privilégios só não tem sido a única marca visível das Polícias Militares porque existe a marca da violência contra a população desarmada. Contra bandido armado as Polícias Militares geralmente são afáveis.

Esse cidadão diferenciado e cheio de privilégios, o Policial Militar, passou, agora, a fazer ameaças diretas ao cidadão comum. No Rio de Janeiro resolveram sair em passeata e deixar a população desassistida. E para completar, os oficiais desafiaram o governador que foi eleito pela população, pelos cidadãos comuns. É o total desrespeito às regras da democracia. E eles estão armados. A população me parece indignada. Se a Polícia Militar já não presta ganhando o que ganha e tendo os privilágios que tem, imagine sem obedercer à hierarquia civil.

O Governador não pode ceder a chantagem desse grupo armado e hostil à sociedade a quem deveria proteger. É sua obrigação não atender a essa meia duzia (seria bom se fosse só meia dúzia) de insubordinados que abandonaram seus postos confortáveis  nos gabinetes dos quartéis para tumultuar a vida da cidade e para tentar tomar mais dinheiro do cidadão.

Sérgio Cabral só tem um caminho a seguir: a expulsão dos oficiais e em seguida a extinção da corporação inútil e rebelde.

Ações do documento

Obrigatório

Enviado por Jambão em 10/02/2008 08:12
Belo texto.

Quando eu crescer vou escrever assim...

Beijos em todos.

PS: que bom que a petição da Arte-Educação era do bem.

sheilacampello@unb.br

Enviado por Sheila em 13/02/2008 13:14
Olá Jambão!
Apesar do assunto não ter nenhuma relação com o tema desta nota, vou aproveitar que você tocou no assunto e mandar meu recado por aqui.
Essa petição é uma iniciativa dos arte-educadores do Brasíl. Ela é muito do bem mesmo. Eu a considero importantíssima. Se essa terminologia não for adotada como uma área de conhecimento pelo CNPq, não poderá haver finaciamento de pesquisa na área. Serão financiados projetos de artistas, mas não haverá previsão de bolsas de pesquisa para educadores em arte.
Obrigada por divulgar.
Beijos,
Sheila.