Junho de 2007

por José Campello Neto última modificação 10/07/2008 20:56

 

sábado, 30 de junho de 2007


Este espaço ainda não tem o formato pretendido inicialmente. Mas a idéia de fazer o ALMANAQUE destacado do Blog permanece. Fiz novos contatos e a discussão de preço, formatação, diagramação, periodicidade, sessões e outras questões necessárias continua.

Eduardo Lucena inaugura hoje, sua primeira apresentação. A sessão Poesia e Literatura é dele, embora divida comigo algumas responsabilidades







Meus amigos, a partir de hoje divulgaremos a narrativa Domenico, um Realista, de Éric Carrazoni. Trata-se de uma história que se desenrola numa cidade do nordeste brasileliro, mas, em seu contexto, revela-se universal e cosmopolita, com todos os contrastes "indianos" de nossa realidade regional.

A cidade é o Recife: contamos com vislumbres da Av. Conde da Boa Vista, da rua do Hospício e daquele beco ("da fome?") entre a Hospício e a rua 7 de setembro; a festa da história se realiza em um casarão de Apipucos e o entrecho é bem urdido e emocionante. De modo que é o Recife, mundial, em forma de folhetim. Espero que vocês gostem.

Eduardo Lucena







Capítulo 1
Um homem só.


Não haveria imagens nem frases feitas nem auto-ajuda. Nenhuma adaptação posterior para o cinema seria possível. Seria mesmo a essência da literatura. O livro que ele iria escrever para levar as pessoas a pensar e parar de usar a leitura com a mesma finalidade de alguém que come um sanduíche para matar a fome era também sua salvação. A idéia, que por alguns instantes lhe deu ânimo, rapidamente se afigurou ridícula: "Não posso competir com os autores de best-sellers, mas também não tenho talento para escrever nada menos superficial", divagava Domenico da Silva, com o olhar fixado no vidro de veneno cujo conteúdo tencionava ingerir.

Sofregamente, continuava pensando em um jeito de ganhar muito dinheiro. Estava cansado de ser um vendedor e batalhar mês após mês pelo básico: "Um assalto... Mas o risco deve ser mínimo. Eu posso atacar uma mulher e depois...". E depois descobria que não havia saída. Continuar vivendo, sair do desemprego, arrumar um trabalho razoável, casar-se, reproduzir na vã ilusão de que seu filho será sua continuação. E sempre correndo o risco de morrer a qualquer instante. Quando pensou na morte, estremeceu. Morrer, não sentir, não ser. E sentiu-se ainda mais patético por estar fingindo perante si mesmo que iria suicidar-se; agia como alguém fazendo charme para si próprio.

De repente, olhou pela janela do seu apartamento e pensou como todas aquelas pessoas podem andar tão tranqüilas pelas ruas sabendo que um dia vão morrer. "Com muito pouco o corpo humano sucumbe. Que grande pilhéria esse tal de Deus faz conosco, dota-nos de inteligência complexa e depois nos faz entender que somos tão importantes para o mundo como formigas". Nesse instante, imaginou um estádio de futebol lotado. Nunca havia reparado que cada uma daquelas cabecinhas era uma pessoa tão importante, teoricamente, quanto ele: "Será que realmente alguém consegue enxergar-se tão ínfimo?", inquiria-se, com o mesmo olhar fixo, agora direcionado para o teto do seu quarto. "Não, todos mentem até para si próprios, se vêem melhores; mas até alguém como eu sabe que os atos de boa vontade e todos esses argumentos sólidos para quem ainda acredita na raça humana são, na verdade, exceções que confirmam a regra. Toda pessoa é, acima de tudo, egoísta", sentenciou.

Estava cansado, precisava dormir. Era mesmo melhor pensar que Deus não prestava do que acreditar que ele nem nada existem. O dia seguinte era dia de ir à luta, em busca de um trabalho decente. Muito embora tentasse convencer-se de que era isso que faria, estava submerso num mar de pensamentos que irrompiam com a força das verdades absolutas. A idéia da morte nunca fora tão perturbadora. Apesar de questionar-se se era justo continuar a viver sentindo-se tão culpado, simplesmente não conseguia entender como uma pessoa pode lidar naturalmente com o fato de que vai deixar de existir. E mesmo assim preocupar-se com todo tipo de frivolidade. "Mas então é isso...", iluminou-se, "... para que alguém vai se preocupar com coisas tão profundas se vai mesmo se acabar? Já que não tem jeito, os homens vivem cada pequena insignificância como se fosse algo muito importante. Essa é a grande estratégia para não pensar na morte". Pronto, havia matado a charada. Agora, mais tranqüilo, todo seu corpo se afinava com sua mente na ingrata e necessária tarefa de adormecer. Amanhã, afinal, seria um dia novo que, com certeza, traria algum alento. Não iria buscar trabalho.



Nem sempre Domenico foi tão confuso como agora, aos 41 anos. Na sua infância, desfrutou de momentos de magia e certezas. Enquanto Rosalina, empregada da família há mais de trinta anos, servia aquele almoço com gosto de passado, cenas inteiras lhe viam à mente. Seu pai brigando com sua mãe, o cheiro de terra molhada, os mariscos que retirava cavando de dentro do mar da praia do Janga, as revistas de nu feminino, o chuveiro do banheiro aberto durante horas enquanto treinava solitariamente para tornar-se um homem. Cenas como essas lhe vinham involuntariamente e cada vez mais à sua revelia.

A voz da sua mãe soou como um estalo, fazendo-o voltar à mesa.

- Dominho, meu filho, o ravióli está do jeito que você gosta.

Naquele momento, sentia uma espécie de alegria angustiada de estar ali. No apartamento de sua mãe, no centro do Recife, morava ainda, além de Rosalina, sua irmã Dionísia. O nome dela era uma homenagem do pai deles, um imigrante italiano já falecido, ao Deus do vinho e da tertúlia. A imagem de Dionísia naquele sofá puído não parecia nada esfuziante. A preguiça, que na infância lhe conferia uma certa ingenuidade graciosa, muito comum nas crianças obesas, agora lhe parecia inadmissível.

Olhava para aquele cenário e mais uma vez seu pensamento partia livre, como um balão de São João solto pelos ares. Dionísia no sofá. Dona Salete, sua mãe, com seu vestidinho quadriculado. As duas falando sobre o esperado episódio de hoje da novela "Amores Modernos", no qual finalmente o personagem principal iria descobrir o quão traído era. E sua mãe ali, sem nunca sentir calor. Numa cidade miseravelmente quente

como o Recife, ela estava sempre com seus vestidos de cores escuras fechados até o pescoço.

Sua mente se desprendia. Sua mãe, sua irmã, Rosalina, todos naquele apartamento minúsculo, aquele apartamento visto de cima, de muito alto, apenas uma pecinha no enorme quebra-cabeça da cidade. Anos mais tarde, o apartamento viraria uma invasão ou seria finalmente implodido. Todos estariam mortos. O apartamento no meio da cidade, a cabecinha de Domenico no estádio de futebol, as formigas subindo e descendo do topo do formigueiro, tudo isso numa veloz sucessão de imagens digna dos mais psicodélicos clips de música, e booom! Domenico regressava à realidade. De uns tempos para cá era assim. Começara a sentir-se sensível e mergulhado em reflexões que surgiam espontaneamente, como se tivessem vontade própria. Havia algo que evitava incessantemente em seus pensamentos; tema que lhe era tão doloroso como o corte de uma lâmina enferrujada na carne. Se ainda conseguia, a duras penas, represar a violência de tão grande tormento, por outro lado lhe transbordavam lembranças, sensações de cheiros, gostos, medos e prazeres de forma aparentemente desconexa.

Definitivamente não era mais aquele jovem de caráter prático e decidido que galgou posições importantes na área de vendas, chefiando departamentos regionais e chegando mesmo a trabalhar nas principais praças do País. Sentia-se absolutamente exaurido. Olhando pela janela do apartamento de sua mãe, no quinto andar, via as pessoas transitarem no centro do Recife. Nunca aquele cenário lhe pareceu tão grotesco.



Capítulo 2.

O Recife - sol e subdesenvolvimento.


O Recife tem, indubitavelmente, seus encantos. Cidade orgulhosa - desde os tempos de luta contra os holandeses e a vizinha Olinda -, era observada por Domenico naquele momento como uma visão do inferno. "Mas quanta gente feia", pensava, disperso, ao esperar sua mãe trazer a sobremesa. Nas ruas do centro, que na década de 70 eram a passarela do comércio, antes da chegada dos shoppings aos bairros residenciais, ele via um espetáculo bizarro. Tipos que seriam estranhos aos africanos e tampouco se assemelhavam a amarelos ou indianos, caminhavam desordenadamente. Desdentados, aleijados especializados em serem aleijados e trombadinhas prontos para dar o bote no primeiro incauto compunham aquela fauna. Eram a grande expressão desse Brasil sem rosto. A própria face da enorme parcela de povo cuja genética busca desesperadamente uma definição. Domenico observava claramente como era tão rigorosa a relação entre feiúra e pobreza na sua terra.

O calor de morte deixava os transeuntes ainda mais agitados. Os paredões de concreto, uma afronta ao bem-estar das pessoas, expunham a combinação infeliz de pedra e sol. "Como alguém pode andar com elegância por essas ruas debaixo de um sol desse?", perguntava-se Domenico. Ele mesmo se respondia, desfrutando com esse exercício de um prazer obscuro. Distraía-se de verdade observando pessoas se esvaindo em suor e mesmo assim usando grossas calças jeans, incoerência que, no seu entender, era a prova inconteste de um comportamento colonizado e irracional. "Há lugares que não foram feitos para serem civilizados. O homem está sempre tentando mudar essa realidade e até consegue ser bem-sucedido aqui e ali." Comprazia-se nesse pensar. Aí então evocava Israel ou Sidney ou mesmo os antigos impérios do Oriente Médio e Egito, mas logo voltava as atenções à sua cidade. O conjunto de árvores, algumas centenárias de copas respeitáveis, mostrava-se completamente insuficiente para cumprir uma de suas principais utilidades: aliviar com sua sombra a vida dos passantes. Os privilegiados que podiam resguardar-se do impiedoso astro solar se entrincheiram no ar condicionado dos carros, casas, lojas, escritórios, conseguindo com tal artifício reproduzir situações menos aflitivas do que aquelas que a grande massa é obrigada a protagonizar - no Recife, os espaços refrigerados são uma espécie de núcleos de resistência, essenciais ao funcionamento da cidade. Para Domenico, tudo na cidade acontecia de forma fragmentada. Ele achava que lá também havia lugar para gente bonita, projetos acadêmicos, arte, lazer, moda. Mas só em grupos e locais muito particulares. Ou então à noite, em alguns recônditos bastante específicos. Durante o dia, a paisagem predominante não permitia maiores alternativas. Apenas sol, comércio, ônibus, kombis, suor. "Que forma tão pouco glamourosa de viver, em que lugar eu vim nascer?", lamentava-se e, simultaneamente, já achava engraçado o fato de muitos dos três milhões de moradores da área metropolitana da cidade jactarem-se em viver em um dos locais mais importantes do Nordeste. Até se esqueciam, pasmava, de considerar ser esta uma das regiões mais pobres do Brasil, um país do Terceiro Mundo.

A falta de um elemento verdadeiramente característico observada na composição física do seu povo (para ele, a mão de tinta negra dera a maior pincelada, mas parece não ter tido força para terminar o serviço) era recorrente na formação do espaço físico da cidade. A convivência de algumas construções modernas com outras improvisadas pela miséria representava muito mais a procura por uma forma do que uma peculiaridade espacial em si. Em alguns pontos, é verdade, havia o mínimo de identidade visual, e estes sítios logo eram, com exceção das favelas, reconhecidos e adotados como cartões postais da cidade. A praia de Boa Viagem, com suas fileiras de edifícios voltados para o mar, o centro antigo com alguns casarões revitalizados, bares e restaurantes à espera de visitantes locais e forasteiros. O Rio Capibaribe, firme na sua poluição ao longo das últimas décadas, desde as pontes do Recife Velho até as margens do colonial bairro de Casa Forte. Domenico concluíra há pouco tempo que nada disso traduzia a verdadeira face do Recife. Ou melhor, para ele, o Recife não tinha face. Era uma outra teoria sua: "A nossa miséria sequer consegue ser pitoresca, não tem aqueles carrinhos engraçados misturados ao trânsito como no Vietnã ou aquele monte de bicicletas na China; é apenas uma conseqüência de uma imitação pífia dos Estados Unidos". Pensamentos como esse já estavam se multiplicando como uma célula cancerosa até Domenico ser interrompido por sua irmã, que estava saindo para exercer sua função como secretária em um banco estatal. Ele não respondeu ao aceno, apenas a olhava e imaginava qual o futuro que teria. Segundo dona Salete, sua filha, que sempre mostrara vocação para a retidão, estava agora saindo com um sujeitinho de baixa renda, divorciado e pai de três filhos. Mal ela bateu a porta, a matrona começou a pensar alto:

- Diz que a ex-mulher dele é uma barraqueira de última, que até escândalo no meio da rua é acostumada a fazer. Ainda por cima é escurinho o desgraçado. Se chegar aqui agora você pensa que é o motorista do banco. - E seguia falando propositalmente:

- Uma moça tão decente agarrada com um tipo tão desprezível. Ainda bem que seu pai não está aqui para ter esse desgosto. É como diz a vizinha, a gente se mata para fazer com que os filhos virem gente e depois temos que assistir a tudo isso...

Antes que sua mãe se aprofundasse no tema para depois mudar radicalmente de assunto e começasse a discorrer sobre a festa da Terceira Idade ou os achaques de Rosalina, Domenico levantou-se, beijou-a, alegou que precisava fazer contatos relativos a algum possível trabalho e partiu.

 

· Zezo · 15:39 ·


 

 

 

sábado, 30 de junho de 2007





Se têm coragem vamos usá-la


É injusto manter encarcerados os rapazes que espancaram diversas pessoas na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Suas energias deveriam ser canalizadas para o benefício da sociedade. Fortões (malhados??), agressivos e corajosos como parecem se julgar poderiam ser escalados para subir o Morro do Alemão à frente da Força Nacional de Segurança Pública para dar porrada nos traficantes. Basta dizer a eles que os traficantes são F.d.P.

· Zezo · 9:57 ·


 

 

 

sábado, 30 de junho de 2007




Falando em transparência editorial



A mídia pode se dar ao luxo de escolher os temas que deseja abordar e de que maneira pretende fazê-lo. O administrador público não pode agir da mesma forma. Não pode escolher a parcela da população que deve ser atendida e a que deve ser esquecida como se fosse assunto irrelevante que não vende jornal. Mas é revoltante ver o tratamento privilegiado que é dado pela mídia e pelas autoridades aos passageiros de linhas aéreas desprezando o usuário dos serviços públicos de saúde. Não há "caos hospitalar". Bom de notícia é o "Cáos Aéreo".

 

· Zezo · 9:41 ·


 

 

 

sábado, 30 de junho de 2007




Navalha na Carne

(Do Blog do Noblat)

Transparência editorial

"O informe final da pesquisa afirma que os jornalistas dos mais importantes órgãos da imprensa mundial "não apenas se mostram relutantes em explicar o que investigam e como investigam, mas também seus empregadores se mostram pouco dispostos a admitir erros bem como assumir publicamente suas políticas editoriais e seus padrões éticos".



O repórter Sydney Schanberg, ganhador do premio Pulitzer de 1976, quando era correspondente do The NewYork Times no sudeste asiático, afirma no relatório final do estudo que : "A imprensa cobra transparência dos governos, empresas e organizações sociais. Mas os repórteres rejeitam a transparência em suas atividades, justificando que estão fazendo um bom jornalismo. Mas o público necessita uma ampla explicação e só quem pode dá-la, são os próprios jornalistas".



O trecho acima faz parte de artigo transcrito do blog de Carlos Castilho no site Observatório da Imprensa.

 

· Zezo · 1:37 ·


 

 

 

sexta-feira, 29 de junho de 2007



Atenção Passageiros


Embora o cheque do dono da GOL seja descontado em qualquer banco (..quem não queria ter Neném Constantino como cliente...) o bilhete de passagem da GOL não vale para outras companhias aéreas. Nem na VARIG que é do mesmo dono. Eu tentei.

Ninguém aceita cliente de Neném Constantino. Só o cheque.

· Zezo · 21:09 ·


 

 

 

quinta-feira, 28 de junho de 2007




Recado



Gabeira, por favor, vai até alí, ao Senado, dá um um pulinho lá no plenário, aponta o dedo para a mesa e vê se dá um jeito naquilo.

 

· Zezo · 22:16 ·


 

 

 

quinta-feira, 28 de junho de 2007



Quem não é?


O (ainda) Senador Joaquim Roriz perguntou, hoje, da tribuna do Senado, em seu depoimento espotâneo, qual banco não gostaria de ter uma conta de Neném Constantino (o dono da GOL). Só faltou perguntar qual das mulheres presentes não gostaria de ter um filho com Renan Calheiros.


 

· Zezo · 21:54 ·


 

 

 

quinta-feira, 28 de junho de 2007





Cai a cotação das Cotas

O leitor Jambão ( e meu amigo ) quer falar. E tem o que falar:

Enviado por: Jambão ( ) Weblog: http:// Comentário: O Supremo lá dos EUA acaba de declarar que as ações afirmativas (tipo cotas para negros) devem ser suprimidas pois servem para alimentar o racismo. Eu cansei de defender essa tese na minha escolinha de história e quase fui linchado. O que seus leitores têm adizer? Beijos em todos. PS: desculpe não ter nada a ver com os bem nascidos de Brasília... Copyright 2001-2005 LWS - Todos os direitos reservados

 

· Zezo · 21:39 ·


 

 

 

quinta-feira, 28 de junho de 2007



Roriz

Roriz acaba de afirmar em pronunciamento no Senado que nasceu em berço de ouro. Em sua peroração afirmou que aumentou o patrimônio deixado pelo seu pai exercendo atividades empresariais. Logo depois informou que tem 40 anos de vida pública e jamais pode cuidar de suas empresas. Afinal, qual dessas afirmações é a que vale?

 

· Zezo · 16:49 ·


 

 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2007


Cliente desde março 06


No cheque que pagou a propina do Ex-Governador Joaquim Roriz, exibido no Jornal Nacional, da Rede Globo, de hoje, aparecia o mês de março como o de início daquela conta-corrente. Terá sido aberta sòmente para aquele fim?

 

· Zezo · 22:31 ·


 

 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2007







Trabalhe e estude

E depois pratique um crime.

Segundo o pai do estudante mais violento dentre os que foram presos no Rio de Janeiro por terem espancado uma senhora num ponto de ônibus é injustificável uma pessoa que trabalha e estuda ser presa só porque praticou um crime...

 

· Zezo · 21:55 ·


 

 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2007








Essa é Boa


Depois de fugirem da responsabilidade (que têm) pela morte dos 160 passageiros do avião da GOL em setembro do ano passado e depois de fazerem o que fizeram com os passageiros nos aeroportos do Brasil, os controladores amotinados,da Aeronáutica, fazem circular na internet um manifesto da categoria em que pedem apoio à população. Àquela mesma população cuja vida tumultuaram para esconder suas responsabilidades. Onde estão aquelas cenas de expulsão com desonra, em que um oficial vai arrancando as insignias dessa gente, uma a uma?

Não consigo aceitar a falta de condições de trabalho para justificar 160 mortes. Isso é assassinato, pois, segundo os próprios controladores essa falta de condições de trabalho era anterior ao acidente. Se já existiam essas sub-condições por que não interromperam, então, antes de matar aquelas pessoas? Acharam que 160 mortes seria uma boa razão para pedir aumento de salário? Deus me livre se os motoristas de ônibus começarem a pensar como esses descontroladores de vôo!



 

· Zezo · 21:46 ·


 

 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2007







Correção

Queria fazer uma correção nessa "Nota" anterior (Afiando as Unhas). É que não existe suplente de Senador. O que existe é o Senador Suplente. Quando o Senador toma posse seu suplente também assume, com direito a Passaporte Diplomático e outras tantas mumunhas. Inclusive ao tratamento de Excelência.

 

· Zezo · 19:37 ·


 

 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2007






Afiando as Unhas


Alguém sabe quem são os suplentes de Renan Calheiros e de Joaquim Roriz?

 

· Zezo · 13:54 ·


 

 

 

segunda-feira, 25 de junho de 2007




Operação Silêncio


Silêncio também na mídia. Os Jornais do Distrito Federal reduziram a zero o espaço dado ao novo escândalo de um banco oficial que paga cheque de outros bancos e só comunica o fato ao Banco Central "oportunamente".
Temos certeza que o Senado Federal, que já tentou legislar para outro país, em defesa da liberdade de informação, irá protestar contra qualquer forma de censura em nosso território.

 

· Zezo · 8:37 ·


 

 

 

segunda-feira, 25 de junho de 2007




Obsequioso?

É muito constrangedor o silêncio do Governador do Distrito Federal a respeito dos escândalos apurados no Banco Regional de Brasília. Afinal, o Governo Distrital é o dono do Banco. Um diretor foi preso na operação Aquarela da Polícia Federal e um cheque de outro banco foi descontado na "boca do caixa" do BRB. Quanto ao preso, que já era diretor do Banco desde o governo Roriz (ops! desde o governo anterior), o Governador deveria, no mínimo, informar à população e aos correntistas de quem se trata e porque responsabilizou-se por mantê-lo no cargo. Quanto ao cheque de outro banco, o fato demonstra que o novo governo deixou de fazer auditoria ao assumir, nem teve curiosidade pelo que se passou na gestão anterior, endossando, portanto, os atos praticados.

 

· Zezo · 8:26 ·


 

 

 

segunda-feira, 25 de junho de 2007


Novilha Voadora

Romeu Tuma não se emenda. Depois de tentar caçar bois, voando num helicóptero, durante o Plano Cruzado, promete caçar os bois voadores do Senador Renan Calheiros e a novilha do cheque voador do Senador Joaquim Roriz. Está visto que ele não tem jeito para a coisa.

 

· Zezo · 7:59 ·


 

 

 

sábado, 23 de junho de 2007


Ministério do Futuro

Para atingir objetivo a longa distância é preciso usar arma de longo alcance. O novo ministério assumido pelo professor Mangabeira Unger tem essa finalidade.


Mangabeira definiu o horizonte para onde está apontando as baterias, antes mesmo de sua posse. Além de simbólico foi bastante indicativo o gesto do Coronel Oswaldo Oliva Neto, irmão do voluntarioso Senador Aloísio Mercadante, ao demitir-se do Núcleo de Assuntos Estratégicos - NAE alegando incompatibilidade de pensamento. O Coronel sempre assentou a visão estratégica em um modelo europeu de ver o mundo e de projetar ações. Mangabeira, ao contrário (vejam bem, eu não usei a expressão "diferentemente". Eu disse, ao contrário) adota uma linha de pensamento estratégico fundada na doutrina americana, a da hegemonia anglo-saxônica. Mangabeira vem de Berkeley.



Resta saber como responderão às suas premissas, ou ao seu futuro projetado, outros ministérios em suas ações estratégicas e de longo prazo. O Ministério da Defesa, por exemplo, como fica? Deveremos invadir a Venezuela, Cuba, integrar a coalizão "do bem" para invadir a Coréia do Norte, o Irão, Iraque, ceder a base de Alcântara? E nossas relações exteriores? Vamos reabilitar Juracy Magalhães? Estará o Chanceler Celso Amorim disposto a revisar seus projetos de integração por um de entregação? Nossas opções na área de ciência e tecnologia, como ficarão? Tudo isso sem falar das projeções econômicas, do planejamento de curto prazo, a cargo do Ministério do Planejamento, nem das definições na área de saúde e educação.



Ou será que esse tão novo Ministério não tem futuro?

 

· Zezo · 15:13 ·


 

 

 

terça-feira, 19 de junho de 2007





Blog

Reforma Política - IV

Numa Federação cada Estado é um distrito eleitoral. É com base nessa constatação que o ex Ministro da Justiça, Fernando Lyra defende sua proposta de tornar majoritária a eleição para a Câmara dos Deputados.

A proposta tem muitos pontos positivos e corrige as principais falhas do atual sistema eleitoral. E, diferentemente do que pensa o próprio autor, ela poderá vir a fortalecer os partidos, se aprovada com a fidelidade partidária.

Na íntegra a entrevista de Fernando Lyra ao JORNAL DO COMÉRCIO de Recife.



ENTREVISTA » FERNANDO LYRA
"O Brasil nunca terá partidos dignos"
Publicado em 16.06.2007
Inaldo Sampaio [EMAIL]inaldo@jc.com.br [/EMAIL]O Brasil nunca teve, não tem e jamais terá partido político digno deste nome. A afirmação é do ex-deputado e ex-ministro da Justiça Fernando Lyra. Embora sem mandato desde 1999, ele nunca deixou de participar do processo político em Pernambuco nem de dar opiniões sobre a conjuntura nacional. Lyra, "exilado" na presidência da Fundação Joaquim Nabuco desde 2003, agitou os meios políticos de Brasília ao defender, no jornal O Globo da quarta-feira passada, a implantação do voto majoritário para deputado e vereador, a coincidência das eleições com mandato de cinco anos para todos e a extinção do vice e do suplente de senador. Em vez do voto distrital e das listas fechadas, ele sugere que se implante o que denomina de "distritão": cada Estado se transformaria num distrito e os mais votados seriam eleitos.

JORNAL DO COMMERCIO - Por que o senhor considera importante a implantação do "distritão" em vez do voto distrital?

FERNANDO LYRA - Desde que eu estava no Congresso já me preocupava com a reforma eleitoral, buscando um "modelo brasileiro" mais adequado para as eleições. Todas as legislações do mundo são adaptadas à realidade de cada país, ou então impostas por outros povos. Recentemente eu li um estudo do advogado Marcelo Cerqueira, que trabalhou comigo no Ministério da Justiça, dizendo que o voto distrital nos Estados Unidos foi imposto pela Inglaterra, após a independência, para que não houvesse renovação na Câmara dos Deputados nem no Senado. Lá o mandato de deputado é de dois anos e a renovação não chega a 10%.
JC - Como funcionaria o "distritão"?
LYRA - Em vez do voto distrital, que não tem nada a ver com a nossa realidade, nossas tradições políticas, se dividiria o País em 27 distritos. Cada partido lançaria os seus candidatos e os mais votados seriam os eleitos. Em Pernambuco, por exemplo, que tem 25 cadeiras na Câmara Federal, seriam eleitos os 25 mais votados, independente de partido, sobras eleitorais ou coisas do gênero. Somente por esse caminho chegaremos àquilo que eu chamo de verdade eleitoral.
JC - O senhor concorda com a afirmação do presidente FHC de que só o voto distrital aproxima o eleitor dos seus representantes?

LYRA - Não. O que aproxima o deputado dos seus representados é a sua preocupação com os problemas do povo, a sua forma de agir e de trabalhar.
JC - Quer dizer que o modelo é inadequado para o Brasil?

LYRA - Sim, porque aqui se faz partido a toque de caixa e troca-se de legenda como se troca de camisa. Agora mesmo o PL se juntou com o Prona e formou o PR (Partido Republicano), mas o que é o PR? O PR defende o quê, é a favor de quê? A Frente Liberal que dissentiu do PDS para apoiar Tancredo (Neves) e depois se transformou em Partido da Frente Liberal, se transformou em DEM (Democratas). Mas esse DEM defende o quê? Vi nos jornais que eles são a favor do voto em lista, mas para manter intactas as oligarquias que controlam o partido desde que se chamava Arena. O PT também é a favor do voto em lista para que a tendência majoritária não seja atropelada pelas menores. Isso é um casuísmo tão vergonhoso quanto o que ocorreu na Europa após a segunda guerra mundial. Com o fim da guerra, o governo norte-americano preparou duas Constituições. Uma para o Japão, massacrado com a bomba atômica, e outra para a Alemanha. A Constituição imposta ao Japão deixou o sistema imperial porque o imperador não foi contra os Estados Unidos, e implantou o voto distrital. Foram depois à Alemanha com a mesma proposta, mas os alemães não aceitaram. Não aceitaram para preservar a liderança de Adenauer, já que Churchill havia perdido a eleição na Inglaterra pelo voto distrital. Então eles criaram o voto distrital com o sistema de lista, mas para preservar quem? Os homens do DEM de lá, que são os mesmos daqui.
JC - Então o sistema da lista fechada também não serve para o Brasil?

LYRA - De jeito nenhum. Porque não existe partido no Brasil. O povo brasileiro nunca votou em partido político, mas nas lideranças. Qual era o partido de Collor quando se elegeu presidente em 1989? Por qual partido Arraes se elegeu prefeito do Recife em 59 e governador em 62? Qual era o partido de FHC em 1994 quando ele se elegeu presidente a primeira vez? Era o PMDB disfarçado de PSDB. O povo votou no partido dele ou no Plano Real? Claro que foi no Real. FHC tinha sido ministro da Fazenda e foi o grande beneficiário daquele plano que debelou a inflação e estabilizou a economia. Isso se deu também em 2002 quando o presidente Lula foi eleito a primeira vez. O PT, que só teve 18% dos votos proporcionais. Então não foi o PT que o elegeu e sim as oposições unidas. Quem elegeu Eduardo Campos governador? Foi o PSB? Não, foi a oposição. Veja o meu caso: fui do MDB, PMDB, PDT, PSB, PPS e voltei para o PSB. Significa que eu nunca tive partido, mas sempre tive lado. O que tem que se fazer é que o eleitor vote no candidato, livremente, e não numa lista que ele não conhece, e que os eleitos sejam os mais votados.
JC - Mas isso também não é uma maneira de enfraquecer os partidos?

LYRA - O Brasil nunca teve, não tem e jamais terá partido político digno deste nome. Veja o caso do deputado Enéas (recentemente falecido) eleito por São Paulo. Teve um milhão e meio de votos, arrastando mais cinco ou seis. O último eleito pela legenda (Prona) teve 400 votos. Esse cidadão tem compromisso com quê? Com nada.
JC - O senhor propõe também extinguir a reeleição. Por que?

LYRA - Porque não é da nossa tradição política e o nosso presidencialismo é muito forte, imperial. Eu não acho justo o sujeito ser candidato à reeleição na cadeira de governante. Isso vale também para governador e prefeito. Digo isso com muita tranqüilidade porque votei a favor da reeleição. Achava que seria uma coisa boa mas hoje sou totalmente contra.
JC - O seu modelo de reforma política passa também pelo mandato de cinco anos, de vereador a presidente da República, pela extinção da figura do vice e do suplente de senador. Não é uma proposta muito radical?

LYRA - O mandato de quatro anos é muito curto nesse sistema eleitoral do Brasil e o de oito é longo demais. A solução intermediária é a coincidência de eleições para que o Brasil possa ter tempo de discutir os grandes problemas. Veja o caso do governador Eduardo Campos. Ele foi eleito em 2006 e tomou posse em 2007. Só está no cargo há pouco mais de cinco meses, mas a classe política não fala em outra coisa a não ser em eleição municipal, que só vai ocorrer no próximo ano. Isso tem que acabar. É eleição por cima de eleição e os problemas do povo não são resolvidos. Cinco anos é um tamanho ideal, com eleições coincidentes.
JC - Como se daria a coincidência?

LYRA - As eleições para todos os cargos seriam realizadas num ano só. No primeiro semestre para vereador e prefeito, no meio do ano para governador e deputado estadual e no final do ano para presidente, senador e deputado federal. Isso baratearia os custos de campanha e daria uma margem de tempo razoável ao governante para cuidar dos problemas administrativos. O que não podemos e nem devemos é voltar àquele sistema de 82 quando votamos no mesmo dia para vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e governador. Essa fórmula também não serve ao País. Pela nossa proposta, que já tem muitos adeptos no Congresso, todo mundo teria um mandato de cinco anos, sem direito à reeleição.
JC - Por que o senhor defende a extinção do vice e também do suplente de senador?

LYRA - Creio que o substituto do presidente da República poderia ser o presidente da Câmara, o do governador o presidente da Assembléia, e o do prefeito o presidente da Câmara Municipal. Com relação ao suplente de senador, é uma anomalia. São pessoas que ninguém conhece e que muitas vezes entram na chapa para bancar os custos das campanhas. Não receberam um voto e vão para o Senado como representantes dos Estados.
JC - No caso do falecimento de um senador, como seria a substituição?

LYRA - Se convocaria de imediato o segundo mais votado. Isso é lógico e racional. Isso se aplicaria também aos Estados e municípios. Se o governador ou o prefeito viesse a falecer antes de cumprir dois anos e meio de mandato, se convocaria uma nova eleição.
JC - Para haver coincidência de eleição teria que haver um mandato tampão (2008 a 2010) ou eleição para um mandato de seis anos. Qual dessas fórmulas o senhor prefere?
LYRA - Tanto faz. Ou elegeríamos um prefeito em 2008 para dois anos, para haver coincidência em 2010, ou então para um mandato de seis anos para haver coincidência em 2014.
JC - Qual a sua opinião sobre o financiamento público de campanha e o fim das coligações proporcionais?

LYRA - O fim das coligações proporcionais é uma coisa lógica, racional. Não tem sentido a sua existência numa democracia como a nossa. Com relação ao financiamento público de campanha, eu confesso que não tenho opinião firmada. É preciso analisar esse problema com muito cuidado para que esses recursos sejam aplicados com transparência para inibir o abuso do poder econômico.
JC - E a fidelidade partidária?

LYRA - Para não dizerem que estou contra tudo e contra todos, aceito a tese do Ronaldo Caiado: se o sujeito for eleito por um partido, tem que ficar nele por pelo menos três anos.
JC - Por que o senhor diz que o Brasil jamais terá partido político digno deste nome?

LYRA - Eu conheci Felix Gonzalez no exílio como secretário-geral do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), que é um partido centenário. Conheci também Mário Soares como secretário-geral do Partido Socialista Português e Álvaro Cunhal como presidente do Partido Comunista Português. No Brasil não ocorreu isso. Estavam exilados Brizola, Arraes, Jango, Juscelino, que não eram representantes de nenhum partido, embora fossem filiados aos partidos da época. O único que representava partido era Luiz Carlos Prestes (PCB), que depois virou PPS. Como é que no Brasil existe partido se o DEM e o PT têm praticamente as mesmas opiniões sobre a reforma política que está em discussão? Num quadro partidário sério o PT jamais poderia estar votando exatamente como vota o DEM.

 

· Zezo · 10:36 ·


 

 

 

terça-feira, 19 de junho de 2007




Reforma Política - III

Ao contrário do que se costuma repetir, nosso sistema eleitoral não é ruim. Existem problemas a serem corrigidos mas que não interessam aos políticos que estão no exercício de seus mandatos parlamentares. Um simples artigo de lei proibindo ou disciplinando a fidelidade partidária já seria suficiente para uma revolução.

 

· Zezo · 5:33 ·


 

 

 

segunda-feira, 18 de junho de 2007


Aviso aos Navegantes


Paula é aquela que "habita" uma plataforma de petróleo na Bacia de Campos. É de lá que nos envia suas chrônicas. Desta vez ela fala de sexo, petróleo e de muito barulho noturno. É quente!


Almanaque Campello

Telefonar da sonda às vezes é um processo coletivo: cabines privadas para diálogos íntimos são raras e sempre tem alguém na sala pra ouvir a conversa alheia, por mais banal que possa ser. No primeiro dia a bordo ligo pra minha mãe, dou o telefone da sonda, para emergências, e o papo segue quase monossilábico. Forneço algumas informações básicas: o helicóptero, algum conhecido a bordo, mas, principalmente, quem está comigo no camarote. Da vez passada, o diálogo se repetiu:
- Está sozinha no quarto?
- Não.
- Está com outra moça?
- Não.
Geralmente, o papo acaba aqui, mas desta vez ela inquiriu: "e ele, é bonito?". São poucas mulheres a bordo, e quase nunca é possível reservar um camarote feminino. Pra quem vê de fora, deve ser difícil entender que não tem sacanagem, existe muito respeito, tolerância e cordialidade. Claro que não penduro as calcinhas no banheiro, e tive que aprender a dormir de protetor auditivo, que o tipo de ronco disponível varia bastante.

No mais, não tem espaço para azaração, no máximo, troca-se e-mails ou telefones para contatos em terra, e mais nada. É muito bonito o tipo de amizade que se desenvolve, rapidamente, em virtude do convívio intenso imposto pela clausura. Mas, vez por outra, surgem estórias de quem 'deu na sonda'. O risco é grande, principalmente de deixar de embarcar ou mesmo perder o emprego. De minha parte, lamento não poder contar nada mais picante, também fico só na vontade... Mas já dividi camarote com uma moça que só aparecia pra tomar banho...

 

· Zezo · 11:14 ·


 

 

 

segunda-feira, 18 de junho de 2007




Blog

Reforma Política - II

Infelizmente uma pesquisa na Câmara irá constatar a preocupação da maioria dos Deputados Federais, exclusivamente, com seus redutos eleitorais. É comum não se interessarem por questões que não digam respeito aos seus municípios ou simplesmente à sua base eleitoral. São os "Vereadores Federais" que não têm dimensão para questões nacionais.

A proposta de estabelecer o Voto Distrital no Brasil irá aprofundar essa tendência do comezinho ao invés de elevar o Congresso à sua verdadeira dimensão.

 

· Zezo · 10:48 ·


 

 

 

segunda-feira, 18 de junho de 2007


Blog


Reforma Política - I

Quando a gente pensa que as coisas não podem piorar, pioram.

As lideranças políticas querem agora impor a Lista Fechada. Não há interesse público nessa proposta. Mais uma vez alguns líderes estão agindo em seu próprio benefício. Pretendem economizar gastos pessoais de campanha.

A Lista Fechada funciona como se o eleitor pudesse escolher o canal de TV , mas tivesse que assistir a toda a programação. Não importa se preferir novelas, noticiários ou filmes. Fica obrigado a engolir toda a programação da emissora. E não pode mudar o canal. Lembra o AME-O OU DEIXE-O que foi usado durante a ditadura militar.

 

· Zezo · 4:45 ·


 

 

 

domingo, 17 de junho de 2007

Literatura e Poesia

O poema é pão. A poesia é concreto. CAFU é poeta. E é também um jogo de palavras. Seu nome no Registro Civil é Ana Maria Macedo. Em 1996 CAFU publicou seu poema intitulado MEDRA. Carece de explicação? Então vamos ao dicionário: Medrar significa Crescer, Ganhar corpo, Prosperar, Aumentar, Manifestar-se com exuberância, Alcançar bom êxito, Melhorar (alguma coisa). Pois CAFU fez tudo isso; consigo mesma e com as palavras, objeto e ferramentas de seu trabalho.




Almanaque Campello



(Sem Título)

poetas à mingua
fazendo misérias
riquezas da língua


(Sem Título)

poesia sem bagagem?
prima pobre
penúria na linguagem



DESINATISMO

Inaceitável
Inepto
Inimigo
Inopioso
Inútil
Esse tédio Iná

Retorna à menina
Inabitada
Inesquecida
Inapetente
Inane
Abandonada

Contudo
Convida a menina
Como para vida
Conviva
Com e entre
VIVA INÁ

 

· Zezo · 12:31 ·


 

 

 

terça-feira, 12 de junho de 2007

12/06/2007

Blog

(gillete-press do blog do magno martins)

Surge uma voz contra Ariano Suassuna

O jornalista pernambucano Geneton Moraes Neto, consagrado na mídia nacional, abriu o blog Sopa de Tamanco e reuniu uma boa turma para dar pitacos sobre tudo, especialmenter cultura. O texto abaixo, por exemplo, é do jornalista Amin Stepple, que bate duro contra a chamada, hoje, "unanimidade" de Ariano Suassuna, que volta a brilhar numa série da Globo. Confira se Amin, de irrepreensível texto, não tem mesmo pra valer cabelo na venta:

"O Brasil assiste hoje ao apogeu da breguice armorial: "A Pedra do Reino", de Ariano Suassuna, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, o mimado Visconti de Jacarezinho.

Assumidamente reacionário, o que deve ser louvado pela coerência intelectual, Ariano Suassuna hoje é quase uma unanimidade nacional. Até os tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil, a quem Ariano passou anos esculhambando como vendidos ao imperialismo americano, hoje sobem no palco com ele para cantar marchinhas carnavalescas. O que é pior: fingindo leve constrangimento. Ariano não mudou. Até contra o Manguebeat fez uma acirrada pregação.

Foram os baianos que mudaram, jogaram a toalhinha branca e se tornaram bananas de pijamas neoarmoriais. Além do mais, com a adesão oportunista a Ariano, traíram o tropicalista cineasta Jomard Muniz de Britto, única voz a defendê-los (junto com o crítico Celso Marconi, que levou um murro de Ariano justamente por defender o tropicalismo, nos anos 60), durante décadas, das diatribes e pedradas do novo Imperador da Cultura brasileira, Ariano Suassuna.

Portanto, viva o cineasta Jomard Muniz de Britto.

# postado por Amin Stepple

Em tempo: o endereço eletrônico do site Sopa de Tamanco é o seguinte: www.sopadetamanco.blogspot.com

 

· Zezo · 21:07 ·


 

 

 

domingo, 10 de junho de 2007



Blog

O Apagão da CPI

Do jeito que andam as coisas o Congresso Nacional vai se transformar definitivamente numa Delegacia de Polícia. Cada operação policial rende uma nova CPI. Daqui a pouco qualquer registro de ocorrência numa Delegacia vai se transformar em CPI, desde que tenha cobertura da imprensa. Depois de investigar problemas de embarque de passageiros de avião, descobrir cópias piratas de DVDs (CPI da Pirataria) e os amores do Presidente do Senado, vem ahi a CPI do Didi, do Pelé e do Vavá. A maioria vai dar em nada quando sair do foco da mídia. Quem estudou essa questão em profundidade foi Helenise Autran Dourado, do Depto de Direito da PUC-Rio. Ela reconhece em um trecho de sua Monografia que " - A função fiscalizadora do Poder Legislativo tem atingido relativo sucesso quando exercida com autonomia e com o envolvimento da opinião pública"

 

· Zezo · 13:53 ·


 

 

 

domingo, 10 de junho de 2007



Almanaque Campello


Memória Musical "Diógenes Barbosa - Didí"

Tá rebocado

Julho de 1981. Fomos à casa de Raul Seixas para assinar o contrato da sua participação no Rock Cerrado, um mega-concerto que aconteceria dias depois em Brasília. O endereço ficava na Rua Rubi, Osasco, em São Paulo. Kika, a mulher dele, nos recebeu na porta e mal entramos, demos de cara com o Maluco Beleza. Eu estava acompanhado da Martinha, o "Queijinho de Minas" da Jovem Guarda. Foi um encontro emocionado. Fazia anos que não se viam. Desde os tempos do Raulzito e Seus Panteras. Então, o que era para ser uma reunião de negócios virou uma festa de confraternização, com muita vodka e boa música. Naquela noite, ele me falou da sua paixão por rockabilly; de Elvis Presley, Buddy Holly, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis; e das suas peregrinações pelos sebos de discos de Nova York em busca dos LPs fora de catálogos.
No dia 23 de julho, Raul fez o show de encerramento do Rock Cerrado. Atacou de "Let Me Sing", "Al Capone" e "Tutti Frutti". Memorável, com direito a discurso político, em plena ditadura militar. No embalo das Diretas Já, virou "candidato" à presidência da república, com a aprovação de uma plátéia de 20 mil pessoas.
Ainda hoje me lembro da expressão que repetiu exaustivamente - para demonstrar satisfação - na noite em que "tomamos todas": Tá rebocado...No melhor estilo "baianês".

 

· Zezo · 11:19 ·


 

 

 

segunda-feira, 4 de junho de 2007



Plim, plim!

O representante venezuelano na OEA pediu, hoje, no Panamá, em nome da liberdade de imprensa, autorização para a entrada de câmeras da nova TV estatal, que substituiu a RCTV, nas dependências da prisão de Guantanamo. Pediu ainda autorização para entrevistar os presos e identificar em que parte do mundo receberam ordem de prisão e de qual tribunal ou juiz.

 

· Zezo · 20:59 ·


 

 

 

segunda-feira, 4 de junho de 2007


Aviso aos Navegantes

Paula ataca novamente.Diretamente da bacia de Campos:

Almanaque Campello

Não sei o quão isolada estou do resto da humanidade, porque o petróleo causa isso mesmo, mas tem umas figuras por aqui... Vou deixar a seção 'apelidos' pra depois, e me dedicar a personagens em particular, que a gente fica sabendo dessas estórias ainda no curso de formação, sem saber direito se tudo é verdade.

Quintanilha era químico e trabalhou em Urucu, furando poço no meio da Amazônia, nos idos de quando a internet não passava de um delírio do capitão Kirk. Pois bem, a comunicação era por rádio, câmbio, e o boletim diário tinha que chegar de todo jeito, eventualmente à revelia do humor de São Pedro. Diz a lenda que foi feito contato com a sonda no meio da mata, câmbio, o engenheiro responsável estava muito ocupado e o radio-operador passou a fonia pro nosso amigo químico. Situação das 16 hs: "chovendo como de costume, nenhuma picada de cobra esta semana, não precisa mandar mais soro, mas estamos com três probleminhas... A coluna está presa, o poço tá bebendo e acabou de entrar em kick!".

Lamento, mas não dá pra traduzir, em poucas palavras, de petrolês para portugues, adianto apenas que é o próprio caos. É como se um pai ou uma mãe ouvisse de uma vez só: "seu filho adolescente está se drogando, engravidou a namorada e acabou de repetir de ano!" Putz! Senta no meio fio e chora, que não sei se rezar adianta.

Ano passado conheci este cidadão, hoje cimentador, em P-16: língua presa, baixo e gordinho, cabelos prateados despreocupadamente penteados para o lado. Calçãozinho azul desmaiado e camisa hering branca, parecia um ursinho de pelúcia. Lindo. Fofo. Passados dois dias (o suficiente pra ficar amigo de infância a bordo), surgiu a oportunidade perfeita para a pergunta fatal: Quinta, aquela estória dos três probleminhas... É verdade? Apenas um sorriso de Monalisa acompanha o aceno positivo, coisa de quem sabe que faz parte da história.

E até hoje é assim, quando as coisas começam a dar errado, não tem essa de 'o poço subiu no telhado', basta começar a falar 'tamo com um probleminha...'

 

· Zezo · 20:31 ·


 

 

 

domingo, 3 de junho de 2007

Literatura e Poesia

EDUARDO LUCENA está de volta com mais um trabalho. São fragmentos de seu livro "Flores Artificiais" publicado nos anos 70. A ilustração, que está no livro, é de Cavani Rosas, artista plástico pernambucano. Não vou fazer comentários. Espero os comentários e as críticas de vocês.




Almanaque Campello









UMA LUA SEQUER...









Vazio.
Batem as portas. O vento, lá fora, como a alma dum cão que se evadisse, suplica, implora, miserável, o horror estampado nos olhos. Chove. Só que não há lua.
Desespero. Há medo em meu coração.
A negra parca que vem e se acerca como a tolher-me os movimentos, e a vida. E nada há que perdoe...Não há que perdoar!
Batem as portas.
Batem as janelas.
Pulsam negros corações. É como se tudo tivesse parado; e somente o pavor pairasse na Terra.

-Quem és tu, Homem?

Horrorosa insignificância inapelavelmente só e a urrar, Cão, Vento, Pânico e jamais houve Lua, Astro, nada sequer que contemplasse - inexpressivo, impassível - o teu grito de medo e dor sob uma Terra cruel, infinitamente sombria e solitária, ínfima gota que, ao estourar, espalhasse somente uma indizível solidão.
Tu te gastas no mundo à medida em que, sentindo, destróis teu efêmero coração... enfim, é só artéria cordial, sangue que se esvai, esplêndida correnteza, horror nos olhos de quem vê: LÁ, NOS OLHOS DE QUEM VÊ.
A pouco e pouco te vais reduzindo, inseto; oh, insensato! - inseto que sentisse o peso da morte como um fardo sobre as costas: um fardo que urge sacudir às distâncias, para que de nada reste, exceto a solidão e o desamparo duma ausência infinda, imóvel, astro do Remoto Invisível, Opaco e que, de seu, nada - absolutamente nada! - houvesse.

Desgastas em coisa alguma teu Ser pequenino.

Qualquer táctil contato; cada reluzente estrela luzindo num olhar; cada som que te corrói os tímpanos devagarinho - marulho que brotasse do Infinito; toda a tua intransponível crosta, a tua carne - teu absurdo perceber! - a insondável solidão, tudo, tudo, te está a fazer sumir.

Diluis teus olhos como um pingo d`água esvaziado.

E somes aos poucos, de pavor entranhado. Mas à medida em que urras, cão batido em qualquer beco, a Lua se vai distanciando, esvaindo inteira, na profundeza do mar - do imenso Mar! - das duas contas malditas que te pregaram à cara.



EDUARDO LUCENA

 

· Zezo · 20:03 ·

 

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José Campello Neto
Brasília - DF
Jornalista e advogado