Saramago

por José Campello Neto última modificação 02/07/2008 21:10

Meu caro Fernando

Quando a gente pensa que não tem mais chão para afundar vem a Operação Sanguessuga e identifica 170 “picaretas” na Câmara dos Deputados. Assim não dá! Vai chegar aos 513. E o que fazer, então? Chico Buarque já tinha dado a solução: - Chame o ladrão, chame o ladrão!! E não foi o que fizeram as autoridades de São Paulo? Foram à cadeia pública e negociaram a libertação da cidade com o principal bandido encarcerado naquele Estado, o Dr. Marcola. Aquele que tem o poder sobre a vida e sobre a morte das pessoas. À partir de agora não tem mais retorno. E o que é pior, nem todos nós nos locupletamos, nem restaurou-se a moralidade no País. A Máfia venceu a parada. O tecido social deteriorou-se. E para completar, diferentemente da Alemanha, onde ainda existem Juízes em Berlim, no Brasil, o Presidente da Suprema Corte estranhamente libertou, para uma fuga sorrateira do País, um banqueiro ladrão dos cofres públicos e da fé pública; e o outro ex Presidente da mesma Corte Suprema absolveu um político corrupto que, em seguida, indicou esse lidimo Magistrado para sucedê-lo em seu governo. - Chame o ladrão, chame o ladrão!! Tem um livro de Saramago, o escritor português, no qual ele conta a história de um governo que vira refem de uma máfia que traficava moribundos. Ninguém morria naquele país e não havia mais onde deixar os moribundos. As famílias não suportavam o transtorno em casa, e nos hospitais os leitos não eram desocupados. O governo fechou os olhos para os traficantes que transportavam moribundos além da fronteira do país onde, lá, cumpriam o desiderato dos “clientes”, morriam. Coisa que o tal governo não podia fazer. Governo não pode matar as pessoas. Depois disso aquele governo foi se enredando nas malhas dos traficantes. Bastou essa primeira fraqueza para virar refém. É quando um personagem, o Primeiro Ministro daquele país imaginário, diz a seguinte frase: “Infelizmente, quando se avança às cegas pelos pântanosos terrenos da realpolitik, quando o pragmatismo toma conta da batuta e dirige o concerto sem atender ao que está escrito na pauta, o mais certo é que a lógica imperativa do aviltamento venha demonstrar, afinal, que ainda havia uns quantos degraus para descer”. Meu caro Fernando, se você encontrar alguma semelhança com os nossos dias não se surpreenda que, de Mensalão em Sanguessugas, podemos chegar ao fundo do poço. Mas ainda tem muito chão para afundar e degraus para descer. A não ser a falsa ira dos Pêfelistas e a recente, bem recente, indignação de Artur Virgílio, pouca gente se manifesta.  De Chico Buarque e de Saramago passemos a Lima Barreto: - O Brasil não povo, tem público.

Ações do documento

saramago

Enviado por mr moretzon em 29/05/2008 15:27
comentar o que? não há mais o que dizer!
dá no saco se indignar e a popularidade do hômi não parar de subir, pois é como se diz, se amanhã ele jogar a filha pela janela e depois se trancar num motel com três travestis é capaz da sua popularidade aumentar... estamos sendo governados pelo IBOPE

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José Campello Neto
Brasília - DF
Jornalista e advogado