Revista Fácil, julho 2005

por José Campello Neto última modificação 02/07/2008 21:10

Ainda os colégios de Recife

Fernando

Olhe aí no que dá você publicar minhas cartas. Recebí alguns reparos sobre aquela em que falei dos colégios de Recife, de minha época. Um amigo reclamou de eu não ter falado mais a respeito do Colégio São Luis. O São Luis era uma espécie de continuação do Marista, funcionando fora do campus principal da Avenida Conde da Boa Vista. Ficava ali, em frente à casa do banqueiro Jorge Baptista da Silva. É uma casa linda, parece um castelo. E tem, também, em frente a ela, uma jóia architetônica, que é a antiga estação de bonde da Ponte d`Uchoa. Meu irmão mais velho, Henrique, estudou no São Luis. Foi lá que um ex atacante do glorioso Sport Club do Recife, chamado “Alemão”, quando treinava o time do ginásio, deu um chute tão forte (um tumba) que o goleiro foi bater na enfermaria. Outro amigo escreveu para dizer que eu não falei do “Cabaré de Soares”. Ele tem razão. Eu lembro do famoso “cabaré”. O que eu não lembro mais é o nome verdadeiro daquele colégio.Quem sabe fosse Escola Técnica de Comércio do Recife? Não tinha boa fama.E por isso mesmo tinha esse apelido de Cabaré. Ficava na esquina da Rua do Hospício com a Riachuelo, de frente para a Facvldade de Direito.Isso me faz lembrar, também, que não citei a Escola Técnica Federal. Esta funcionava no Derby, naquela quadra em que ficava o Necrotério da antiga Faculdade de Medicina, o Colégio Militar, a Casa do Estudante de Pernambuco e a Maternidade do Derby.Para quem não sabe, os jardins do Derby foram desenhados por Burle Max. O Derby era uma jóia paisagística. Além desses amigos fui procurado ainda pelo Marcos Formiga, ex Superintendente da SUDENE, indignado por eu ter afirmado que não conhecia ninguém que tivesse estudado no Americano Baptista. Claro que me referia ao meu tempo de estudante. A alegria e o orgulho de conviver com Marcos, esse ex aluno do Americano Batista, com muito orgulho e muita saudade, como ele diz e como ele demonstra, só se deu quando já adulto. Essa revista FÁCIL anda circulando de verdade. Outro que leu minha carta e veio fazer reclamação porque eu não citei um colégio foi o Luiz Geraldo. Sim, é ele mesmo, Luiz Geraldo, do programa “Noite de Black Tie”, da TV Jornal do Comércio. Luiz lembrou de um colégio que eu, sinceramente não recordo. É - se ainda existe - a Escola Normal Pinto Júnior, na Rua do Riachuelo.Quanto a mim deixei de fazer referências a um colégio que estudei em Beberibe: Colégio Americano. No meio do ano de 1961 voltei de Brasília, onde minha família estava morando, por causa da saúde de meu avô. Ele não se dera bem no Planalto Central. Problemas com a altitude e com a secura do ar. No meio do semestre letivo meus pais conseguiram vaga para mim no Colégio Americano, que pertencia a um pastor protestante chamado Dr. Ernani. Foi lá que fiz o Admissão ao Ginásio. Estão feitos os reparos.

Mas por causa daquela carta, também chegaram sugestões. Uma amiga achou que eu devia ter falado dos livros didáticos que usávamos.Gostei da idéia e vou tentar. Asseguro que não vou lembrar de todos e vou receber, com muito gosto, novas correspondências com reclamações e pedidos de referências a esse ou aquele livro didático. Vou ter que puxar pela memória com mais vigor. Vamos lá.

Minhas mais antigas lembranças são de uns caderninhos de taboadas, bem fininhos, com três cores na capa; encarnado, branco e azul. Tinha a taboada de somar, de diminuir, de multiplicar e de dividir. A gente ia decorando na ordem crescente. As mais difíceis para mim eram a de 7 e a de 9. Lembro também do catecismo das aulas de religião. Deixo bem claro porque os catecismos de Carlos Zéfiro não eram usados nas aulas de religião. O catecismo a que me refiro tinha um anjo na capa, ao lado de duas crianças com ar angelical; um menino e uma menina. A primeira lição era assim:

- Ès cristão?
- Sim, sou, pela graça de Deus.
- Quem é Deus?
- Deus é um Espírito puro, todo poderoso, criador do céu e da terra.
- Que se deve fazer para ser cristão?
- ..............

A gente usava também cadernos de caligrafia. Esses cadernos eram o máximo! Eram bem fininhos e pareciam partituras de música, e eram numerados. Iam do zero ao número seis. Acho que parava por aí. Ou, quem sabe, eu é que não tenha conseguido ir adiante. Tínhamos que copiar as frases dos cabeçalhos das páginas imitando com precisão a forma de escrever cada letra. Tínhamos que fazer o desenho da letra partindo do lado certo da pauta. No 5º ano do Primário usávamos um livrão, grosso, que tinha todas as matérias, intitulado ADMISSÃO AO GINÁSIO. Os livros sobre os quais minha amiga lembrou eram do curso ginasial. Ela falou dos livros de Ari Quintela. Eram os livros de Matemática. Era um Ari Quintela para cada ano do ginásio. Para História tínhamos aquele livrão, bem grosso, de Borges Hermida. Era de História Geral e de História do Brasil. Amigos de outros colégios usavam o Curso de Historia de Armando Souto Maior. Geografia se estudava em Haroldo de Azevedo ou no Manuel Correia de Andrade. São esses os que consigo lembrar. Espero fazer com que você e os que lerem esta carta publicada também puxem pela memória e tragam nomes de autores e outros títulos para a gente “curtir” um pouco do passado.

 

 * Artigo publicado na seção Carta ao Amigo, da Revista ....

Ações do documento

os colégios do Recife

Enviado por wilsonita em 14/06/2008 23:09
O senhor fala em livro de Geografia de Manoel Correia de Andrade , que era parceria com Hilton Sette , de quem era genro,se nao me falha a memoria ,e de quem fui aluna no antigo Colegio Estadual de Pernambuco ,atual Ginasio Pernambucano.

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José Campello Neto
Brasília - DF
Jornalista e advogado